Relatório da FAO destaca que 80% das áreas agrícolas foram severamente afetadas pelo conflito em Gaza

William Oliveira Publicado em 26/05/2025, às 11h40
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulgou um relatório alarmante nesta segunda-feira (26), revelando que apenas 5% das terras cultiváveis na Faixa de Gaza permanecem acessíveis e em condições de produção. Esse cenário agrava ainda mais o risco iminente de fome entre a população palestina.
De acordo com a avaliação da FAO, mais de 80% das áreas agrícolas foram severamente impactadas pelo conflito. Cerca de 77,8% das terras estão inativas, restando apenas 4,6% de solo arável — o equivalente a aproximadamente 688 hectares.
A análise geoespacial, feita em parceria com o Unosat (centro de monitoramento por satélite da ONU), aponta que a deterioração do setor agrícola compromete de forma crítica a capacidade de produção de alimentos e intensifica a ameaça de uma crise de fome generalizada.
Entre as regiões mais afetadas estão Rafah, ao sul da Faixa de Gaza, e diversas localidades no norte, onde praticamente não há mais acesso a terras cultiváveis. O comunicado da FAO alerta para a gravidade extrema da situação.
Após mais de 19 meses de conflito contínuo e com o bloqueio prolongado da ajuda internacional imposto por Israel, os habitantes de Gaza enfrentam um cenário catastrófico de escassez de recursos básicos e colapso alimentar.
Recentemente, sob forte pressão da comunidade internacional, Israel suspendeu parcialmente o bloqueio à ajuda humanitária. No entanto, organizações que atuam no território alegam que as medidas são ainda insuficientes para atender às necessidades urgentes da população.
Um estudo publicado no final de abril revelou que 82,8% dos poços destinados à irrigação foram danificados — um aumento considerável em relação aos 67,7% registrados em dezembro de 2023.
Beth Bechdol, diretora-geral adjunta da FAO, afirmou: “A destruição de terras, estufas e poços representa não apenas uma perda estrutural, mas o colapso total do sistema alimentar em Gaza e dos meios de subsistência de seus habitantes.”
Antes da atual ofensiva, a agricultura respondia por cerca de 10% da economia local e sustentava diretamente mais de 560 mil pessoas — aproximadamente um quarto da população da Faixa de Gaza.
O conflito foi desencadeado em 7 de outubro de 2023, quando o grupo Hamas lançou um ataque sem precedentes contra Israel, deixando cerca de 1.200 mortos e resultando na captura de múltiplos reféns. Em resposta, Israel iniciou uma ofensiva de larga escala em Gaza, que já provocou quase 54 mil mortes, em sua maioria civis, além da destruição massiva de infraestrutura e uma crise humanitária sem precedentes.
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