Forças russas lançam 215 drones e mísseis, enquanto a Força Aérea da Ucrânia abate 48 mísseis e 64 drones durante a madrugada

por Marina Milani
Publicado em 24/04/2025, às 08h34
Um ataque aéreo devastador ocorrido na madrugada de quinta-feira em Kiev resultou na morte de pelo menos oito pessoas e deixou mais de 70 feridos, incluindo crianças. O Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia destacou que este incidente evidencia a falta de respeito da Rússia por qualquer tentativa de paz.
De acordo com informações divulgadas por autoridades ucranianas, entre os feridos estão pelo menos seis crianças e uma mulher grávida. O Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia (DSNS) reportou danos significativos a edifícios residenciais, com operações de busca em andamento para localizar possíveis vítimas sob os escombros. "Os toques de celulares podem ser ouvidos debaixo dos destroços", informou o DSNS através do Telegram, ressaltando que incêndios, agora extintos, foram provocados pelos ataques.
O chefe da Administração Militar da Cidade de Kiev, Timur Tkachenko, afirmou que o ataque atingiu não apenas prédios residenciais, mas também veículos e lojas. Ele descreveu a ação militar como "a paz russa em toda a sua glória". O primeiro ataque aéreo começou por volta da 1h (horário local), seguido por uma série de explosões cerca de três horas depois. Fontes militares ucranianas indicaram que um dos mísseis utilizados era fabricado na Coreia do Norte.
Durante a crise, um jornalista da agência France-Presse acompanhou moradores que buscaram abrigo em um porão de um edifício residencial assim que soaram os alarmes antiaéreos. Este foi o primeiro ataque com mísseis contra a capital ucraniana desde o início de abril.
Na cidade de Kharkiv, ao leste, o prefeito Igor Terekhov relatou ataques semelhantes que deixaram pelo menos duas pessoas feridas. Em toda a madrugada, as forças russas lançaram um total de 215 drones e mísseis. A Força Aérea da Ucrânia informou que conseguiu abater 48 mísseis e 64 drones, além de redirecionar eletronicamente 68 drones inimigos.
Andrii Iermak, chefe do gabinete do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, denunciou os ataques indiscriminados contra cidades como Kiev e Kharkiv. Ele criticou o presidente russo Vladimir Putin, afirmando que suas ações demonstram um desejo contínuo de matar e exigindo a imediata cessação das hostilidades direcionadas a civis.
A Rússia confirmou a realização de um "ataque maciço" noturno utilizando armas aéreas, terrestres e marítimas, alegando que os alvos eram indústrias militares ucranianas. Em comunicado à imprensa, as Forças Armadas russas afirmaram que os objetivos do ataque foram alcançados.
O presidente Zelensky, que estava em viagem oficial na África do Sul, decidiu encurtar sua agenda e retornar imediatamente à Ucrânia em resposta ao ataque. Ele ressaltou que se passaram "44 dias desde que a Ucrânia aceitou um cessar-fogo total" proposto pelos Estados Unidos, mas a Rússia continua a perpetrar atos violentos sem enfrentar consequências adequadas.
O ministro Andrii Sibihia reforçou essa perspectiva ao afirmar que Putin demonstra por meio de suas ações a falta de respeito aos esforços internacionais pela paz. Este ataque representa um dos mais intensos registrados na capital nos últimos meses e ocorre em um momento crítico para as negociações visando um cessar-fogo após mais de três anos de conflito.
As discussões atuais incluem uma proposta russa que sugere manter a linha atual da frente e renunciar à conquista total das quatro províncias ucranianas sob ocupação parcial. A proposta também implica no reconhecimento dos Estados Unidos sobre a anexação da Crimeia e um veto à adesão da Ucrânia à NATO.
Recentemente, o ex-presidente Donald Trump criticou Zelensky por se opor ao reconhecimento da soberania russa sobre a Crimeia, acusando-o de ser um obstáculo para a paz com declarações "inflamatórias". Em resposta às tensões diplomáticas, Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, acusou Zelensky de falhar nas negociações para um cessar-fogo e prejudicar as iniciativas diplomáticas recentes.
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