Mais de 50 dias após bloqueio, 2 milhões de pessoas em Gaza enfrentam dificuldades alimentares severas

Gabriela Thier Publicado em 30/04/2025, às 14h50
Nesta quarta-feira (30), o governo dos Estados Unidos apresentou sua posição na Corte Internacional de Justiça (CIJ), localizada em Haia, sobre a controvérsia envolvendo a ajuda humanitária em Gaza. Durante a audiência, os EUA sustentaram que Israel possui o direito de restringir a assistência humanitária proveniente de entidades que considere "parciais", mencionando especificamente a Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA).
O representante do Departamento de Estado dos EUA, Josuah Simmons, defendeu que o direito internacional confere a uma potência ocupante, como Israel nos territórios palestinos, a prerrogativa de determinar as condições sob as quais a ajuda humanitária é fornecida à população civil. Ele argumentou que Israel justifica suas dúvidas acerca da imparcialidade da UNRWA.
"Israel não está obrigado a permitir que a UNRWA ofereça assistência humanitária específica. Existem alternativas para fornecer ajuda humanitária em Gaza. Em determinadas circunstâncias, não há uma exigência legal que obrigue uma potência ocupante a permitir que um terceiro estado ou organização internacional conduza atividades em território ocupado se isso comprometer sua segurança", afirmou Simmons.
A posição dos Estados Unidos contrasta com a de outros países que participaram das audiências na CIJ nos últimos três dias. A Assembleia Geral da ONU havia solicitado ao tribunal um parecer jurídico sobre as obrigações de Israel em relação à facilitação do acesso irrestrito a suprimentos essenciais para a sobrevivência da população civil palestina.
As audiências ocorreram mais de 50 dias após Israel ter imposto um bloqueio total à entrada de ajuda humanitária em Gaza, afetando cerca de 2 milhões de pessoas que enfrentam sérias dificuldades alimentares.
Além disso, Simmons expressou ceticismo sobre a imparcialidade da UNRWA e pediu ao tribunal para evitar um posicionamento sobre as obrigações legais de Israel como potência ocupante. "A questão submetida à corte não requer uma nova avaliação desse direito", destacou o funcionário americano.
A UNRWA desempenha um papel crucial na assistência a mais de seis milhões de refugiados palestinos. Desde outubro de 2024, Israel suspendeu as operações da UNRWA sob alegações de que estaria apoiando o Hamas, embora não tenha apresentado evidências concretas às investigações independentes da ONU sobre essas acusações.
A agência afirmou possuir cerca de três mil caminhões carregados com ajuda humanitária prontos para serem enviados a Gaza, mas enfrenta obstruções por parte de Israel. Desde o início do conflito em 7 de outubro de 2023, mais de 290 membros da equipe da UNRWA foram mortos e 311 instalações da agência foram alvo de ataques.
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