Teerã afirma que ofensiva atingiu uma usina em construção e cobra posicionamento da Agência Internacional de Energia Atômica sobre a ação militar americana

Julio Cezar Souza Publicado em 20/07/2026, às 07h47
O governo do Irã solicitou nesta segunda-feira (20) que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) condene os ataques realizados pelos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas. Segundo Teerã, uma das estruturas atingidas foi a usina de Darkhovin, atualmente em construção no sudoeste do país.
Durante entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que espera uma manifestação oficial tanto do Conselho de Governadores da AIEA quanto do diretor-geral da agência sobre os bombardeios.
De acordo com o representante iraniano, a expectativa é que o organismo internacional condene formalmente o que classificou como um crime cometido pelos Estados Unidos.
Além da instalação de Darkhovin, a agência estatal iraniana Irna informou que a ofensiva também atingiu diversos pontos na cidade portuária de Bushehr, onde está localizada a única usina nuclear de uso civil do país.
Em comunicado divulgado no domingo (19), o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom) informou que concluiu a nona noite consecutiva de operações militares contra alvos iranianos no Oriente Médio.
Segundo os militares americanos, os ataques tiveram como foco centros de comando, sistemas de defesa aérea, bases de lançamento de mísseis e drones, além de redes de comunicação. Washington afirmou que a operação busca reduzir a capacidade do Irã de ameaçar embarcações comerciais que atravessam o Estreito de Ormuz.
Durante a coletiva, Baghaei também afirmou que o Irã não permitirá que a estratégica hidrovia seja utilizada por países considerados adversários para colocar em risco a segurança nacional.
"Não podemos permitir que esta hidrovia seja usada indevidamente novamente para ameaçar a segurança e os interesses nacionais do Irã", declarou o porta-voz, acrescentando que o país está disposto a adotar todas as medidas necessárias para proteger sua soberania.
A nova escalada militar ocorre após a morte de três militares americanos. Dois deles morreram em uma base na Jordânia, enquanto o terceiro perdeu a vida no norte do Iraque durante a detonação controlada de um artefato explosivo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lamentou as mortes e afirmou que os soldados atuavam em serviço ao país.
No sábado (18), o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, fez um pronunciamento pedindo união nacional diante da intensificação das hostilidades entre Teerã e Washington.
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