Cantora critica governo por utilizar “Juno” em cenas de detenções: “Nunca me envolvam nisso”

Gabriela Nogueira Publicado em 02/12/2025, às 14h45
A cantora Sabrina Carpenter manifestou publicamente sua insatisfação após descobrir que uma de suas músicas foi utilizada em um vídeo divulgado pela Casa Branca mostrando agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos em operações de detenção de imigrantes. O material, publicado na segunda-feira, 1º de outubro, utiliza a faixa “Juno” como trilha sonora de cenas reais de imigrantes sendo algemados e levados por agentes federais.
A resposta da artista veio no dia seguinte, quando ela criticou duramente a escolha da administração ao vincular sua música a ações que considera desumanas. “Este vídeo é maligno e repugnante. Nunca me envolvam, nem a minha música, em prol da sua agenda desumana”, escreveu a cantora, que reforçou seu repúdio a qualquer associação entre sua obra e políticas de repressão.
A canção “Juno” ganhou destaque durante a turnê “Short and Sweet”, em que Carpenter costumava transformar a música em uma brincadeira com o público, fingindo “prender” fãs e celebridades em apresentações leves e performáticas, usando algemas cor-de-rosa para arrancar risos da plateia. O contraste com o uso oficial da faixa, agora atrelada a imagens de detenções reais, causou revolta entre fãs e defensores dos direitos humanos, já que o tom lúdico visto nos palcos foi substituído por uma narrativa de violência institucional.
Trechos da letra, como “vamos tentar algumas posições ousadas”, soam ainda mais agressivos ao serem inseridos sobre imagens de pessoas sendo detidas. Essa colisão entre arte e realidade reforça a crítica da cantora sobre a apropriação inadequada de seu trabalho para fins governamentais, especialmente em um contexto marcado por políticas migratórias rígidas e amplamente contestadas.
O ICE, principalmente durante a administração de Donald Trump, foi alvo de inúmeras denúncias de violência e abordagens consideradas excessivas. O órgão enfrentou protestos constantes por suas práticas de detenção, especialmente contra imigrantes sem documentação formal. O uso da música de Carpenter nesse cenário reacende debates sobre responsabilidade institucional e respeito à integridade artística.
Ao se posicionar, Sabrina Carpenter reforça um discurso defendido por muitos artistas: que a música deve aproximar pessoas, não ser utilizada para legitimar ações que ferem direitos humanos, levantando questionamentos sobre consentimento e uso ético de obras artísticas em campanhas governamentais.
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