Cerca de 80% dos cardeais habilitados para votar foram nomeados pelo papa Francisco

Gabriela Thier Publicado em 29/04/2025, às 14h50
Nesta terça-feira (29), o Vaticano anunciou que o número de cardeais com direito a voto no conclave que elegerá o sucessor do papa Francisco, agendado para o próximo dia 7 de maio, foi reduzido para 133. A diminuição se deve à ausência de um cardeal espanhol e de um bósnio, ambos impossibilitados de participar por motivos de saúde. O porta-voz da Santa Sé, Matteo Bruni, optou por não revelar as identidades dos ausentes. Contudo, a Conferência Episcopal Espanhola confirmou que um deles é Antonio Cañizares, arcebispo de Valência e com 79 anos.
O processo eleitoral será realizado na Capela Sistina e é restrito aos cardeais com menos de 80 anos. Inicialmente, havia 135 cardeais habilitados para votar dentre um total de 252. Para que um novo papa seja eleito, é necessário obter pelo menos dois terços dos votos dos presentes. Durante o conclave, os cardeais estarão proibidos de utilizar celulares, acessar a internet ou se comunicar com a imprensa até que a fumaça branca sinalize a escolha do novo pontífice.
Desde a morte do papa Francisco, ocorrida no dia 21 de abril, os cardeais têm se reunido diariamente em sessões fechadas na sala Paulo VI. Essas reuniões são conhecidas como "congregações gerais", nas quais os cardeais discutem as prioridades e desafios que a Igreja Católica enfrenta ao longo de seus dois mil anos de história. Nas últimas discussões, temas como evangelização e o papel da Igreja na promoção da paz foram abordados. Na reunião anterior, o foco foi a grave questão dos abusos sexuais cometidos por membros do clero.
Notavelmente, cerca de 80% dos cardeais que poderão votar foram nomeados pelo papa Francisco, sendo muitos deles oriundos de regiões remotas historicamente negligenciadas pela Igreja. Isso significa que muitos dos participantes do conclave não se conhecem pessoalmente. Para facilitar a identificação entre os cardeais durante as reuniões, Bruni informou que eles utilizam cartões com seus nomes.
A cobertura da imprensa tem sido intensa, com jornalistas fazendo perguntas aos cardeais enquanto se dirigem às reuniões. Apesar da atenção, muitos preferem evitar interações e seguem seu caminho sem desviar o olhar. O cardeal Louis Raphaël I Sako, patriarca da Igreja caldeia no Iraque, comentou sobre o ambiente das congregações: "Há um ambiente fraternal e sincero", afirmando também que existe um "espírito de responsabilidade para buscar alguém que continue o trabalho de Francisco". Entretanto, as reformas propostas pelo papa jesuíta argentino têm gerado críticas entre setores mais conservadores da Igreja, que esperam uma mudança mais centrada na doutrina.
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