Diplomatas buscam contato direto nesta sexta; governo insiste em liberação dos cidadãos retidos

Gabriela Nogueira Publicado em 03/10/2025, às 15h51
Representantes do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, conhecido como Itamaraty, têm uma visita programada para esta sexta-feira (3) aos brasileiros que estão sob custódia de Israel. Os cidadãos foram detidos após a interceptação da Flotilha Global Sumud, que estava transportando ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, uma região atualmente marcada por conflitos entre Israel e Hamas, quando foram abordados em águas internacionais.
Atualmente, 15 brasileiros encontram-se detidos pela marinha israelense. Entre os presos estão a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) e diversos ativistas, incluindo Bruno Sperb Rocha, Lisiane Penca Severo, Magno de Carvalho Costa, Mariana Conti Takahashi, Thiago Ávila e Gabriela Tolotti. Além deles, João Leonardo Cavalcanti Aguiar Costa e Miguel Bastos Viveiros de Castro estão desaparecidos após também terem participado da flotilha.
Conforme informações do deputado federal Lindbergh Farias (PT), uma equipe consular deve se reunir com os brasileiros ainda hoje para averiguar as condições de saúde e segurança dos detidos, além de oferecer assistência jurídica. A visita, que estava inicialmente agendada para quinta-feira (2), foi adiada devido ao feriado judaico de Yom Kippur, que impediu o acesso dos diplomatas aos detidos.
Farias declarou: "Não estamos conseguindo estabelecer comunicação com os detidos, mas o ministro Mauro Vieira já está ciente da localização deles e uma visita consular foi garantida pelo governo brasileiro. Nossa deputada federal estava em missão oficial do Parlamento brasileiro. Eles foram levados em águas internacionais enquanto transportavam ajuda à Gaza. Exigimos a liberação imediata de todos para que possam retornar ao Brasil".
Posição do Brasil sobre a Interceptação
O Itamaraty manifestou sua condenação à ação israelense em nota oficial, descrevendo a interceptação das embarcações da Flotilha Global Sumud como um ato de grave violação do direito internacional, incluindo o direito marítimo internacional. Em sua declaração, o Ministério ressaltou o caráter pacífico da missão humanitária e enfatizou que operações desse tipo devem ser autorizadas e facilitadas por todas as partes envolvidas no conflito, não podendo ser obstruídas ou consideradas ilegais.
A nota também exorta o governo israelense a libertar imediatamente os cidadãos brasileiros e demais defensores dos direitos humanos que foram detidos. O Brasil demandou que Israel seja responsabilizado por quaisquer atos ilegais ou violentos perpetrados contra a Flotilha e seus ativistas.
Além disso, na Itália, uma greve foi convocada nesta sexta-feira (3) em protesto à interceptação de navios humanitários por Israel.
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