Pressão do ex-presidente Trump e crise interna complicam as negociações, enquanto a Ucrânia resiste a concessões à Rússia

Redação Publicado em 30/11/2025, às 18h24
Autoridades dos Estados Unidos e da Ucrânia tiveram um encontro neste domingo, que os dois lados consideraram como conversas proveitosas sobre um possível acordo de paz para encerrar o conflito com a Rússia. O Secretário de Estado, Marco Rubio, se mostrou esperançoso com o andamento das negociações, mesmo reconhecendo que parar a guerra, que já dura mais de três anos, é um grande desafio.
O objetivo principal, segundo Rubio, é criar um caminho que garanta a soberania e independência do país europeu. "Continuamos realistas sobre o quão difícil isso é, mas estamos otimistas, principalmente porque, à medida que avançamos, existe uma visão comum de que não se trata apenas de acabar com a guerra. É sobre garantir o futuro da Ucrânia, um futuro que esperamos ser mais próspero do que nunca", declarou Rubio na Flórida, local do encontro.
Mudança na liderança ucraniana
As negociações de domingo ganharam um novo rumo com uma troca de comando do lado ucraniano. O novo chefe das conversas foi Rustem Umerov, secretário do conselho de segurança nacional de Kyiv. Ele assumiu o posto após a renúncia de Andriy Yermak, chefe de gabinete do presidente Volodymyr Zelensky, na sexta-feira, em meio a um escândalo de corrupção no país.
No início da reunião, Umerov agradeceu o apoio dos americanos e seus representantes. “Os EUA estão nos ouvindo, os EUA estão nos apoiando, os EUA estão caminhando ao nosso lado”, disse o novo negociador. Após o encontro, ele reforçou que as discussões foram boas. “Discutimos todos os assuntos importantes para a Ucrânia, para o povo ucraniano, e os EUA foram extremamente solidários”, afirmou Umerov.
Detalhes das conversas e o próximo passos
As discussões deste domingo ocorreram em um clube particular perto de Miami e dão sequência a cerca de duas semanas de negociações. O processo começou com uma proposta de paz enviada pelos Estados Unidos. No entanto, o plano inicial foi criticado por alguns, que disseram favorecer a Rússia, que começou o conflito na Ucrânia com a invasão em 2022.
Representando os Estados Unidos, também estiveram presentes o enviado especial Steve Witkoff e o genro do presidente americano Donald Trump, Jared Kushner. Witkoff tem um compromisso marcado para se reunir com representantes russos ainda nesta semana.
"Há muitas partes se movimentando e, claramente, há outra parte envolvida que terá de fazer parte da equação — e isso continuará mais tarde nesta semana, quando o Senhor Witkoff viajar para Moscou", explicou Rubio.
Pressão de Trump e crise interna na Ucrânia
O ex-presidente Trump tem demonstrado insatisfação por não conseguir encerrar a guerra, prometendo, como candidato, fazer isso rapidamente. Sua equipe chegou a pressionar a Ucrânia a fazer grandes concessões, como entregar parte do seu território à Rússia.
Do lado de Kyiv, a liderança está enfrentando uma crise política interna causada por uma grande investigação de corrupção no setor de energia. Eles estão tentando recusar termos que sejam vantajosos para Moscou, enquanto as forças russas avançam devagar no campo de batalha. Na última semana, Zelensky alertou que o país está vivendo seu momento mais difícil, com muitos blecautes causados por ataques russos, mas prometeu que não fará um acordo ruim.
O primeiro vice-ministro das Relações Exteriores de Kyiv, Sergiy Kyslytsya, que também participou do encontro em Miami, comentou que a atmosfera é caótica e que “pequenas mudanças podem levar a grandes resultados”.
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