Um ataque aéreo em Rafah, Gaza, resultou em 40 mortes e mais de 200 feridos, aumentando a tensão na região já devastada pela guerra

William Oliveira Publicado em 16/06/2025, às 12h44
Na segunda-feira (16), um ataque aéreo israelense deixou pelo menos 40 mortos na Faixa de Gaza, segundo o Ministério da Saúde local. Cerca da metade das vítimas foi registrada nas imediações de um centro de distribuição de ajuda administrado pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF), organização apoiada pelos Estados Unidos.
Segundo médicos da região, aproximadamente 20 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas em Rafah, onde ocorreu o ataque. Este episódio se soma a uma série de incidentes diários que vêm resultando em centenas de mortes entre palestinos que tentam acessar alimentos, desde a implantação de um novo sistema de distribuição humanitária, após Israel aliviar parcialmente o bloqueio total imposto à região por quase três meses.
A GHF, organização recém-designada pelos EUA para gerir a distribuição de ajuda, opera sob proteção militar israelense em três locais. Entretanto, a ONU criticou duramente o modelo, classificando-o como “inadequado, perigoso e contrário aos princípios de imparcialidade humanitária”.
As Forças de Defesa de Israel ainda não comentaram oficialmente sobre o ataque desta segunda-feira. Em ocasiões anteriores, os militares admitiram ter aberto fogo nas proximidades de centros de ajuda, alegando agir em resposta a ameaças de militantes.
No Hospital Nasser, familiares das vítimas se reuniram em meio à dor. Entre lençóis brancos que cobriam os corpos, mulheres e crianças lamentavam as perdas. Ahmed Fayad, que buscava alimento para sua família no centro da GHF, relatou: “Fomos até lá esperando ajuda para alimentar nossos filhos, mas era uma armadilha, uma chacina. Peço a todos: não vão para lá”.
Philippe Lazzarini, comissário-geral da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA), declarou na rede X que “dezenas de pessoas morreram e ficaram feridas nos últimos dias, incluindo famintos que buscavam alimentos através desse sistema de distribuição letal”.
Antes da GHF assumir o controle das operações, a assistência humanitária era distribuída por agências da ONU, como a própria UNRWA, responsável por milhares de funcionários e centenas de centros ativos em Gaza.
Israel justifica a mudança acusando o Hamas de desviar parte dos mantimentos destinados à população civil. Os militantes negam as acusações e acusam Israel de utilizar a fome como arma de guerra.
Lazzarini também afirmou que, apesar da disponibilidade imediata de ajuda, as restrições israelenses contra as operações da ONU permanecem inalteradas.
Antes mesmo do ataque de segunda-feira, dados do Ministério da Saúde de Gaza indicavam que ao menos 300 pessoas haviam morrido e mais de 2.600 haviam sido feridas nos arredores dos centros da GHF desde o início das operações.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu a abertura de investigações sobre os ataques letais próximos aos centros da GHF. Em Genebra, Türk declarou: “Os métodos e meios de guerra empregados por Israel estão provocando sofrimento indescritível à população palestina de Gaza”.
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