LONDRES — O Palácio de Buckingham respondeu, em um curto comunicado, nesta terça-feira às alegações de racismo e hostilidade feitas pelo príncipe Harry e por

Redação Publicado em 09/03/2021, às 00h00 - Atualizado às 16h56
LONDRES — O Palácio de Buckingham respondeu, em um curto comunicado, nesta terça-feira às alegações de racismo e hostilidade feitas pelo príncipe Harry e por Meghan Markle em sua reveladora entrevista à apresentadora Oprah Winfrey no domingo. A Coroa disse que as questões raciais são “preocupantes” e “levadas muito a sério”, mas que serão tratadas pela família em particular. A nota, contudo, faz a ressalva de que “algumas lembranças” sobre o episódio “podem variar”.
“Toda a família está triste de tomar conhecimento da extensão do quão desafiador os últimos anos foram para o Harry e para a Meghan”, diz a nota. “Os assuntos levantados, particularmente os raciais, são preocupantes. Por mais que algumas lembranças possam variar, elas são levadas muito a sério e serão abordadas pela família no privado”.
O comunidado encerra afirmando que “Harry, Meghan e Archie sempre serão membros muito amados da família”.
A nota emitida pelo palácio refere-se às alegações de que Meghan e Harry de que um membro da família real teria feito comentários racistas sobre a cor da pele do filho que esperavam. A Coroa também decidiu que Archie, hoje com quase dois anos, também não receberia proteção ou o título de príncipe, algo que seria seu direito automático como neto de um futuro monarca. Harry preferiu não revelar publicamente qual parente fez indagação sobre a cor de pele da criança, mas Oprah negou que tenha sido a rainha ou seu marido, o príncipe Phillip.
Questionado sobre o assunto e sobre Meghan ter considerado o suicídio diante do que classificou como uma campanha de difamação movida pelos tablóides, Charles parou, olhou para o jornalista, mas em seguida se virou e continuou a andar.
À Oprah, Meghan disse que os funcionários reais limitavam seus movimentos e encontros com amigos e que não a defendiam ou desmentiam acusações falsas dos tradicionalmente cruéis tabloides. Desde que anunciou seu namoro com Harry, a ex-atriz americana — a primeira pessoa que se identifica como negra a fazer parte do alto escalão da Casa de Windsor — tornou-se alvo do que, para muitos, é uma campanha de difamação de cunho racista e machista.
Entre a população britânica, a entrevista do casal divide opiniões. Segundo uma pesquisa realizada pelo instituto YouGov, 36% afirmaram estar ao lado da monarquia, enquanto 22% declaram opinião mais favorável a Harry e Meghan. O apoio ao duque e a duquesa de Sussex é maior entre os jovens de 18 a 24 anos — 48% disseram estar a seu lado —, enquanto apenas 9% dos britânicos com mais de 65 anos lhes são favoráveis. Entre os mais velhos, 55% estão ao lado da família real.
A relação de Harry e Charles também não passa por seu melhor momento. Segundo o príncipe mais novo, o herdeiro do trono britânico parou de atender seus telefonemas após Harry e Meghan anunciarem que se afastariam de suas obrigações reais, algo que era discutido internamente e não veio como surpresa. Ele disse ainda se sentir “realmente decepcionado” com a falta de apoio de seu pai, a quem caracterizou como alguém “preso” pelas amarras da tradição monárquica.
A entrevista foi transmitida no Reino Unido pela primeira vez na noite de segunda, atraindo 12,4 milhões de espectadores — a maior audiência para o canal ITV desde a final da Copa Mundial de Rúgbi em 2019. Nos tabloides, Harry e Meghan foram assunto pelo segundo dia consecutivo.
“A pior crise real em 85 anos”, disse a manchete do jornal Daily Mirror, e a capa do Daily Mail perguntou “O que eles [Harry e Meghan] fizeram?”. Já Trevor Kavanagh, colunista do Sun, questionou se a entrevista é o fim da realeza.
Segundo o governo britânico, o premier Boris Johnson assistiu ao programa, mas se recusou a comentar mais a fundo. O primeiro-ministro, na segunda, declarou sua admiração pela rainha, mas disse que continuaria a não comentar assuntos da família real ao ser questionado se achava que a instituição é racista. O líder trabalhista, Keir Starmer, por sua vez, disse que a alegações de Meghan são “muito sérias” e que deveriam ser investigadas pelo Palácio de Buckingham.
Por O Globo
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