Projeto de luxo associado a Ivanka Trump e Jared Kushner prevê investimentos bilionários em uma ilha paradisíaca da Albânia, mas enfrenta forte resistência de ambientalistas, moradores e grupos anticorrupção.

Redação Publicado em 09/06/2026, às 10h58
Um projeto turístico de luxo na Albânia, avaliado em 1,4 bilhão de euros e associado a Ivanka Trump e Jared Kushner, gerou protestos em Tirana, levantando questões sobre preservação ambiental e uso do território nacional.
A construção na ilha de Sazan, que abriga ecossistemas importantes, é contestada por mais de 40 organizações ambientais que pedem a suspensão das obras devido ao risco de danos permanentes à biodiversidade da região.
Apesar da oposição popular e de confrontos entre manifestantes e segurança privada, o governo albanês, liderado pelo primeiro-ministro Edi Rama, defende o projeto como um motor para o turismo e a modernização da infraestrutura local.
Um empreendimento turístico de luxo avaliado em cerca de 1,4 bilhão de euros (R$ 8,3 bilhões) está no centro de uma crescente crise política e ambiental na Albânia. O projeto, associado à empresária Ivanka Trump e ao empresário Jared Kushner, tem provocado protestos nas ruas da capital Tirana e reacendido debates sobre preservação ambiental, transparência e uso do território nacional.
A proposta prevê a construção de hotéis, vilas de luxo e estruturas turísticas na ilha de Sazan, uma área desabitada localizada no Mar Adriático. O empreendimento também contempla regiões próximas à baía de Vjosa-Narta, conhecida por abrigar flamingos, focas e áreas de reprodução de tartarugas marinhas.
Nos últimos dias, milhares de manifestantes foram às ruas carregando bandeiras da Albânia, cartazes contra corrupção e imagens de flamingos cor-de-rosa, transformados em símbolo da resistência ao projeto. Entre os slogans mais repetidos está a frase: “A Albânia não está à venda”.
Segundo organizações ambientais, a construção pode causar danos permanentes a ecossistemas considerados estratégicos para a biodiversidade da região. Mais de 40 entidades já pediram a suspensão das obras e a retirada de equipamentos das áreas protegidas.
A polêmica ganhou força após a instalação de cercas e barreiras que restringiram o acesso de moradores a praias próximas ao local previsto para o empreendimento. Em alguns protestos houve confrontos entre manifestantes e equipes de segurança privada, levando autoridades locais a revogar licenças de empresas responsáveis pela vigilância.
O governo albanês, entretanto, mantém apoio ao projeto. O primeiro-ministro Edi Rama afirma que o investimento poderá impulsionar o turismo, gerar empregos e modernizar a infraestrutura da região.
A ilha de Sazan possui um passado estratégico. Durante décadas, foi utilizada como base militar e ainda abriga bunkers, túneis subterrâneos e áreas com munições não detonadas da Guerra Fria.
Em entrevistas anteriores, Ivanka Trump afirmou que conheceu o local durante um passeio de barco e se encantou com o potencial turístico da região. Segundo ela, a intenção seria desenvolver o espaço preservando suas características naturais.
Além das preocupações ambientais, o projeto também enfrenta questionamentos sobre disputas fundiárias. Processos judiciais contestam a propriedade de parte das áreas destinadas ao empreendimento, um problema histórico na Albânia desde o fim do regime comunista.
Enquanto o governo insiste na continuidade do plano, os protestos seguem crescendo e transformaram o resort em um dos temas mais sensíveis do cenário político albanês.
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