Advogado e empresário Abelardo de la Espriella supera o senador de esquerda Iván Cepeda em uma das eleições mais polarizadas da história recente do país. Resultado preliminar indica mudança profunda na política de segurança, economia e relações internacionais colombianas.

Ana Beatriz Publicado em 22/06/2026, às 11h03
A Colômbia passa por uma transformação política com a vitória do advogado Abelardo de la Espriella nas eleições presidenciais, apoiado por Donald Trump, superando o senador de esquerda Iván Cepeda em uma disputa acirrada marcada por forte polarização ideológica.
De la Espriella obteve 49,66% dos votos válidos, enquanto Cepeda ficou com 48,70%, em um cenário de crescente violência ligada ao narcotráfico e desgaste do governo de Gustavo Petro, que impulsionou a busca por uma agenda de segurança mais rígida.
O novo presidente propõe medidas como a construção de megapresídios e o fortalecimento das Forças Armadas, mas enfrenta contestação judicial dos resultados por parte de Cepeda e do governo Petro, enquanto a posse está prevista para 7 de agosto, com desafios de governabilidade no Congresso.
A Colômbia vive um momento de transformação política após a divulgação da apuração preliminar das eleições presidenciais realizadas neste domingo. O advogado e empresário Abelardo de la Espriella, candidato apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apareceu à frente na contagem de votos e foi apontado como vencedor da disputa contra o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado do atual presidente Gustavo Petro.
Segundo os dados divulgados pelas autoridades eleitorais colombianas e reproduzidos pela imprensa internacional, De la Espriella obteve cerca de 49,66% dos votos válidos, enquanto Cepeda alcançou aproximadamente 48,70%, em uma disputa marcada por forte polarização ideológica e margem apertada de votação. A diferença entre os candidatos ficou em pouco mais de 250 mil votos.
A vitória representa uma mudança significativa no cenário político colombiano após quatro anos do governo de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história do país. Durante a campanha, De la Espriella construiu sua candidatura com um discurso centrado no combate ao crime organizado, no endurecimento das políticas de segurança pública e na retomada de uma agenda econômica mais liberal.
Entre as principais propostas do presidente eleito estão a construção de megapresídios, o fortalecimento das Forças Armadas, o combate direto aos cartéis do narcotráfico e a revisão da estratégia de negociações com grupos armados ilegais adotada pela gestão Petro. O político também defende a redução do tamanho do Estado, cortes de gastos públicos, diminuição da burocracia e incentivos ao setor privado para impulsionar o crescimento econômico.
A campanha recebeu atenção internacional após o apoio público de Donald Trump, que manifestou apoio ao candidato colombiano ainda durante o processo eleitoral. Após a divulgação dos resultados preliminares, lideranças conservadoras da Colômbia e dos Estados Unidos comemoraram o resultado e defenderam uma aproximação entre Bogotá e Washington.
Apesar da comemoração dos aliados, a eleição ainda deve enfrentar questionamentos. Iván Cepeda e integrantes do governo Petro anunciaram que irão contestar judicialmente os resultados de milhares de urnas, alegando possíveis irregularidades no processo de apuração. O caso deverá ser analisado pelas autoridades eleitorais responsáveis pelo escrutínio oficial dos votos.
A disputa presidencial foi considerada uma das mais tensas dos últimos anos na Colômbia. O país enfrenta aumento da violência ligada ao narcotráfico, crescimento da produção de cocaína, dificuldades econômicas e desgaste político do governo Petro. Esses fatores contribuíram para fortalecer candidaturas com discurso mais rígido na área de segurança.
Abelardo de la Espriella, de 47 anos, nunca ocupou cargo eletivo anteriormente. Conhecido nacionalmente por sua atuação como advogado e empresário, ele ganhou projeção pública por defender figuras de grande repercussão política e empresarial no país. Durante a campanha, apresentou-se como um outsider disposto a promover uma profunda reformulação institucional.
Caso o resultado seja confirmado após a conclusão do processo eleitoral, a posse do novo presidente está prevista para ocorrer em 7 de agosto. O desafio imediato será construir maioria no Congresso colombiano, que permanece fragmentado, além de administrar um país dividido entre projetos políticos radicalmente distintos para o futuro da nação.
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