
por Marcus Vinícius De Freitas
Publicado em 23/07/2025, às 09h26
O decreto do presidente Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre importações brasileiras nos Estados Unidos representa mais do que uma medida protecionista extrema: trata-se, na prática, de um embargo disfarçado, pois inviabiliza economicamente o comércio. Não se trata de ajuste, mas de exclusão. E, diante dessa ameaça, o Brasil precisa reagir com firmeza, inteligência e visão estratégica. É nesse espírito que proponho a Estratégia PSC – Pressionar, Sancionar e Comercializar.
O Brasil não deve ser considerado um mero vizinho continental dos Estados Unidos, mas o seu substituto regional como polo de investimentos, desenvolvimento econômico e protagonismo político. O país precisa sair da solidão estratégica e unir sua voz à de outros Estados que vêm sendo alvo de sanções unilaterais norte-americanas — como China, México, Venezuela, África do Sul, Japão, Coreia do Sul e até mesmo aliados europeus afetados por medidas extraterritoriais. Essa aliança pode vocalizar, em fóruns multilaterais como a OMC, a UNCTAD e o G20, uma agenda de contestação legítima ao uso distorcido de tarifas como instrumentos de coerção geopolítica.
O Brasil precisa acionar o lobby político nos Estados Unidos, envolvendo empresas norte-americanas que dependem do mercado brasileiro ou que tenham empregos diretamente relacionados ao País, para que também pressionem seus representantes políticos a revogar esse embargo imposto pelo governo Trump. O Brasil gera empregos nos Estados Unidos em setores como alimentos, mineração, agronegócio, energia e infraestrutura. O recado deve ser direto: cada ataque injustificado ao Brasil afetará também os interesses norte-americanos em solo brasileiro. O Brasil também deveria liberar a questão das patentes. Trump precisa entender que sua irresponsabilidade ao desregular o comércio global terá impactos devastadores também sobre os próprios Estados Unidos. O Brasil não pode assistir passivamente à tentativa de ser colocado — como um vassalo.
O Brasil também sofre as consequências de seu próprio capitalismo mambembe, que, ao longo das décadas, desmontou ativos estratégicos sob o pretexto de modernização. Se hoje tivéssemos uma grande companhia aérea nacional, como outrora foi a Varig, poderíamos utilizá-la como instrumento de projeção diplomática e mecanismo de pressão geoeconômica. Essa realidade deveria servir de alerta: soberania econômica e capacidade de reação estão diretamente ligadas à preservação de instrumentos nacionais de influência.
Assim como Xi Jinping respondeu às tarifas americanas com uma intensa agenda de diplomacia comercial, logo após o anúncio das medidas o presidente chinês viajou imediatamente ao Vietnã, à Malásia e ao Camboja para fortalecer os laços econômicos e ampliar o comércio com esses países. Lula deveria adotar estratégia similar, buscando novos mercados e garantindo a estabilidade das exportações brasileiras — criando, por exemplo, um corredor empresarial São Paulo–Xangai, a fim de promover uma aproximação econômica mais vigorosa entre o Brasil e a Ásia.
A crise deveria ser o catalisador de uma mudança definitiva de rota. Isso exige coragem para rever estruturas antigas, reformular o Mercosul transformando-o numa zona de livre comércio mais flexível. O Brasil precisa negociar acordos comerciais bilaterais e multilaterais mais vantajosos, ampliar sua presença no Sudeste Asiático, fortalecer o diálogo com a África, reativar parcerias com a Europa e desenvolver uma verdadeira diplomacia econômica Sul-Sul.
O momento exige que o Brasil, mais do que nunca, atue com estratégia e propósito. O protecionismo extremo proposto por Trump reflete um mundo em transição, no qual antigas potências tentam, por meio da força, conter o avanço de novas lideranças e equilíbrios geoeconômicos. O Brasil não pode mais agir com hesitação ou ambiguidade. Deve defender seu lugar no mundo com firmeza, compostura e determinação.
A Estratégia — Pressionar, Sancionar e Comercializar — não é uma resposta bélica, mas uma demonstração de que o Brasil tem clareza sobre seus interesses e disposição para defendê-los com altivez. É uma estratégia de afirmação — não de confronto. A inação custaria mais caro do que a resistência. E, como já demonstrou a história, as nações que souberam reagir com sabedoria diante da adversidade emergiram mais fortes, mais respeitadas e mais soberanas.
Que o Brasil esteja à altura do desafio — e que esta crise seja o impulso para a reinvenção da política externa e econômica brasileira no século XXI.

Dom Rafael perde direitos dinásticos após anunciar casamento

Loja de fotografia é destruída por incêndio em Campinas; câmeras registram ação de suspeito

Motorista de Porsche morre após colisão contra mureta na Rodovia dos Imigrantes

A Fazenda 18 já tem data de estreia; saiba qual

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Polícia investiga festa com fuzis em Vigário Geral e suspeita de presença de Peixão

Apenas 5% das ações contra políticos no STF terminam em condenação

CPTM amplia pagamento de bilhetes via Pix para todas as estações do sistema

Josh Grisetti, estrela de musicais da Broadway, morre aos 44 anos

Moraes suspende visitas de Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias e investiga possível propaganda eleitoral antecipada