
por Marcelo Emerson
Publicado em 18/05/2023, às 07h44
Um pensamento enraizado no imaginário brasileiro diz que: “a saída para o Brasil é o aeroporto”. Ele gera reflexões profundas sobre as mazelas brasileiras que não cabem nesta coluna, mas podemos afirmar que há setores que são mais prósperos no exterior.
Podemos citar exemplos de segmentos que têm melhores remunerações e possuem alta demanda lá fora: profissionais de TI, de negócios e músicos de heavy metal. Isso mesmo, músicos que atuam no segmento da música pesada encontram um cenário mais organizado e sustentável economicamente do que no Brasil.
Para falar sobre isso, este colunista entrevistou Bill Hudson, guitarrista radicado na Florida(EUA). Comecei perguntando se o músico iniciou sua carreira no Brasil.
Hudson respondeu enfático: “Não, cara. Eu nunca quis me meter no Brasil. Muito, muito jovem eu já entendi como funcionava aí. Nunca fui [membro] de banda. Vi meus amigos lançarem discos e quebrarem a cara. Para mim sempre foi...se eu tentar fazer isso vai ter que ser fora do Brasil [...]. Minha carreira começou em 2006 já aqui fora”.
O guitarrista de 40 anos de idade se refere à primeira banda que formou nos EUA, chamada Cellador, que tinha um bom contrato com a gravadora americana, mas não vingou, pois, segundo Bill: “a gente não sabia o que estava fazendo. Éramos um bando de idiotas. Gastamos todo o dinheiro da gravadora e não fizemos nada”.
Em qualquer área da vida, o fracasso pode ser uma ótima oportunidade de aperfeiçoamento. Bill Hudson ressalta que: “Até hoje eu falo que foi a maior oportunidade que eu já tive. Eu era o cara mais velho da banda com 22 anos. Fizemos grandes turnês. Tocamos no Japão. E desde então estou trabalhando”.
O guitarrista passou a integrar bandas de expressão internacional (Circle II Circle, John Oliva’s Pain, Trans-Siberian Orchestra, Savatage e U.D.O). Atualmente, é integrante das bandas Doro, I am Morbid e NorthTale,
“Eu já fiz turnê em 58 países. Moro nos EUA há mais tempo do que morei no Brasil. Basicamente moro na Alemanha todo verão, porque fico lá para trabalhar. Conheço a Suécia muito bem. Morei na China um tempo, porque minha esposa trabalhou lá”, esclarece Bill.
NorthTale já está em seu segundo álbum, o excelente “Eternal Flame”, lançado mundialmente pela gravadora alemã Nuclear Blast. Hudson se empolga para falar da banda da qual é o fundador: “É o meu projeto pessoal”. Eu provoquei: “Você chegou com moral! Contratocom a [gravadora] Nuclear Blast. [Produtor renomado] Dennis Ward”. Bill arremata: “Se é para fazer o negócio, tinha que fazer direito. O NorthTale é a banda que eu queria ter montado quando eu tinha 16 anos e estava no Brasil”.
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