
por Marcelo Emerson
Publicado em 13/03/2025, às 08h36
Na coluna de hoje vamos escrever sobre o Frei Gilson. Milhões de seguidores do líder católico acessam as suas transmissões ao vivo pela internet que começam às quatro horas da manhã. Nesses vídeos, o sacerdote ora, distribui bênçãos aos seguidores e abre espaço para que o público testemunhe sobre suas provações no espaço destinado aos comentários.
O enorme interesse pelas “lives” do Frei Gilson já é um destaque por si só, já que o sacerdote se tornou um influenciador digital com quase 8 milhões de seguidores no Instagram. Porém, além disso, os vídeos do frei se tornaram assunto dos setores que tratam da política partidária brasileira.
Vale lembrar que ele já teceu críticas ao “comunismo” e deu entrevista para um popular canal conservador. Recentemente, importantes líderes políticos conservadores passaram a elogiar em público o frei Gilson e a sua influência no universo digital. Foi o que bastou para que muitos dos militantes do espectro político contrário (“esquerda”) passassem a atacar o padre. Um “youtuber” chamado Helder Maldonado postou as seguintes palavras em suas redes sociais: “Acordar cedo para lavar uma calçada, estudar ou correr no parque ninguém quer. Aí morre burro, sedentário e com a casa sebosa e a culpa é do capeta ou do Lula”.
O ponto crucial aqui é o seguinte: a crítica do “youtuber” reduz a dimensão espiritual do ser humano a uma rasteira briga de torcidas da política partidária miúda. Dito de outra forma, o “influencer” identificou milhões de pessoas que buscam preencher o vazio espiritual com um determinado nome da política partidária e, consequência disso, passou a atacar os fiéis de forma rasteira.
Ainda que o “youtuber” pensasse apenas no aspecto material (já que ignorou a dimensão espiritual do trabalho do padre), a evangelização, em essência, é fruto da compaixão perante os oprimidos, os privados injustamente de liberdade civil, saúde pública, respeito racial, alimentação, emprego e, de forma geral, de todos os direitos fundamentais.
A conduta do citado “influencer” reflete a postura de grande parte da militância política atual, que não só rejeita o cristianismo como elemento estruturante da cultura brasileira, como debocha da dimensão espiritual cristã de grande parcela do nosso povo.
Tendo em vista a grande reprovação dos políticos defendidos pelo “youtuber”, caso ele e seus colegas militantes continuem desrespeitando a fé cristã da grande maioria do povo brasileiro, logo estarão todos engrossando as multidões que acessam as “lives” do Frei Gilson, orando muito para superar a rejeição popular e para vencer novas eleições
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