
Por Marcelo Emerson Publicado em 05/03/2026, às 10h10
Há discos que simplesmente se somam a uma discografia. Outros ampliam horizontes. O novo capítulo da trilogia capitaneada por Edu Falaschi pertence à segunda categoria.
A formação reúne músicos de alto nível técnico e personalidade artística bem definida: obviamente, Edu Falaschi nos vocais, Victor Franco e Diogo Mafra nas guitarras, Raphael Dafras no baixo, Jean Gardinalli na bateria e Fábio Laguna nos teclados. Mais do que uma banda de apoio, trata-se de um conjunto coeso, capaz de sustentar uma proposta musical ambiciosa e multifacetada.
Este colunista ainda não ouviu o álbum, mas, segundo informações da assessoria de imprensa do vocalista, o trabalho expande o espectro sonoro já apresentado anteriormente, abraçando com maturidade o power metal, dialogando com o rock progressivo e incorporando elementos de fusion e de produção contemporânea. Tudo isso promete como resultado um álbum variado, cinematográfico e tecnicamente refinado, talvez o mais diverso da trilogia.
Ainda segundo a TRM Press, musicalmente, percebe-se uma busca por identidade que transcende fórmulas. MI’RAJ mergulha em elementos da musicalidade étnica da região retratada, explorando escalas modais, texturas atmosféricas e timbres que evocam uma tradição histórica específica. Há ecos claros da influência ibérica, especialmente andaluza, que, por sua vez, deixou marcas profundas na formação da música nordestina brasileira. Tudo isso é integrado a uma base sólida de heavy metal, criando um diálogo entre tradição e peso contemporâneo.
Diante das informações acima, e considerando a experiência deste colunista em relação aos dois álbuns anteriores da trilogia, não se trata de mero exotismo sonoro. A ambientação cumpre função narrativa. O álbum propõe uma travessia, menos geográfica e mais espiritual. A jornada do personagem central revela que o verdadeiro deslocamento não ocorre no mapa, mas no interior humano. A metáfora do deserto é clara: atravessá-lo significa confrontar limites, identidade e propósito.
A atmosfera medieval que permeia a obra influencia diretamente sua estética, tanto no conceito lírico quanto na construção musical. Arranjos grandiosos convivem com momentos introspectivos, reforçando essa tensão entre o épico e o íntimo. Destaque para a bela capa (já divulgada publicamente) e um box especial com o álbum e vários itens de colecionador.
No fim, o disco parece ter tudo para confirmar maturidade artística e ampliar fronteiras sem romper raízes. No fim do dia, é metal, mas é também narrativa, identidade e reflexão. E, sobretudo, é a demonstração de que técnica e densidade cultural podem — quando bem conduzidas — coexistir em equilíbrio raro. Edu Falaschi, mais uma vez, deixará sua assinatura no cenário do heavy metal.
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