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COLUNA

British Lion: Steve Harris e a coragem de ser autêntico

British Lion - Imagem: Divulgação
British Lion - Imagem: Divulgação
Marcelo Emerson

por Marcelo Emerson

Publicado em 12/12/2024, às 07h52


Steve Harris é um visionário, pois trajetória artística comprova que ele foi capaz de manter a sua visão própria sobre a identidade do Iron Maiden, perseguindo seus objetivos incansavelmente até realizá-los.

Geralmente os visionários são aqueles que antecipam tendências futuras. Mas Steve Harris sempre foi fiel às suas raízes. O baixista nunca foi dado a seguir modas e nunca tentou colocar o seu Iron Maiden no papel de “última moda do verão”.

A banda britânica fará 50 anos em 2025. E o que o Steve Harris visionário vislumbra para sua carreira, após alcançar 68 anos de vida?

A resposta completa nós não temos, pois o baixista é muito discreto e, paradoxalmente, alcançou a fama ao mesmo tempo em que evitava cada vez mais as entrevistas e a exposição pública de sua vida pessoal.

Mas parte da resposta nós temos, e ela se chama British Lion.

A julgar pelo show da banda que aconteceu no dia 6 de dezembro deste ano, Steve Harris está longe de pensar em aposentadoria, mesmo que sua banda maior, o Iron Maiden, tenha que diminuir suas atividades ou até mesmo encerrar a carreira.

O local do show, o modesto Fabriqué, no bairro da Barra Funda, em São Paulo, foi uma celebração do mais autêntico rock pesado britânico. British Lion tem um som calcado na sonoridade bandas do rock pesado dos anos 70, como U.F.O., Free, Wishbone Ash e outras do mesmo estilo. Rock visceral, alto, pesado, com “punch” e muito intenso.

Desde a música de abertura, “This is my God”, até o final do show com “Eyes of the Young”, o que se viu foi uma banda afiada, tocando com pegada intensa, com seus integrantes entrosados e, por que não dizer, felizes com o show.

O British Lion fez o público chegar no auge da empolgação com as músicas “The Burning”, “A World Without Heaven”, “Spitifire” e “Us Against the World”.

Se no show anterior há alguns anos, o público estava lá exclusivamente para ver o ídolo do Iron Maiden de perto, dessa vez já vimos grande parte dos fãs que conhecem realmente as músicas do British Lion.

Além disso, o público prestou muita atenção nos demais integrantes da banda, e não só no baixista Steve Harris. O British Lion conta com Richard Taylor (vocal), David Hawkins e Grahame Leslie (guitarras) e Simon Dawson (baterista). Para surpresa dos fãs, dois dias depois o baterista foi anunciado como novo integrante do Iron Maiden.

Mais uma vez, Steve Harris se mostra um visionário. Neste mundo tomado pelo efêmero, pelo imediatismo e pelas sub-celebridades descartáveis, o baixista vislumbra que o futuro está em ser fiel aos seus valores, suas tradições e sua identidade.

A trajetória de Steve Harris é um exemplo cabal de acerto da frase de G. K. Chesterton: “Cada época é salva por um punhado de homens que têm a coragem de não ser atuais”.


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