
por Mara Machado
Publicado em 07/11/2024, às 07h47
A preocupação crescente com a crise climática e ecológica, e o reconhecimento dessa crise como uma ameaça à saúde da população, têm imposto aos serviços de saúde e às escolas de ensino superior a necessidade de respostas imediatas.
Os profissionais de saúde precisam agir na crise climática com responsabilidade profissional, e o reconhecimento da necessidade de reduzir o impacto da assistência à saúde no clima.
Apesar da crescente conscientização sobre o impacto das mudanças climáticas na saúde e a necessidade de cuidados de saúde sustentáveis, as estruturas conceituais ou habilidades práticas para a transição aos cuidados de saúde ambientalmente sustentáveis não são comumente conhecidas ou ensinadas aos profissionais de saúde.
Educar e treinar a força de trabalho da saúde — incluindo o fornecimento de habilidades técnicas concretas — é reconhecido como uma prioridade fundamental para a transição para cuidados de saúde ambientalmente sustentáveis nas estratégias atuais. Sem isso, os sistemas de saúde não atingirão as metas de sustentabilidade.
A transição para cuidados de saúde sustentáveis, portanto, requer inovação clínica e liderança. Isso, por sua vez, requer educação e treinamento.
Até agora, a inclusão de tópicos sobre clima e sustentabilidade na educação em saúde tem sido escassa. É fundamental priorizar o aprendizado: conhecimento, descrever como o meio ambiente e a saúde humana influenciam um ao outro (saúde planetária); habilidades, para melhorar a sustentabilidade dos sistemas de saúde (melhoria da qualidade); e valores, discutir o dever do profissional de saúde de proteger a saúde diante das mudanças ambientais globais (profissionalismo e ética).
Em suma, evidências sugerem que incluir conhecimento sobre mudanças climáticas e saúde como parte dos currículos oferece aos formandos e profissionais da saúde a oportunidade de operacionalizar conceitos de saúde planetária como parte de sua prática clínica.
Uma pesquisa global de 2.817 escolas médicas em 112 países concluiu que apenas 15% delas incluem conhecimento sobre mudanças climáticas e saúde como parte de seu currículo*.
Uma declaração de consenso de 2021 divulgada pela Association for Medical Education in Europe reiterou o apelo por educação baseada em habilidades para educação sustentável em saúde.
Isso reforça que instituições de saúde e educadores que incorporam os conceitos de mudanças climáticas e saúde populacional em seus currículos serão capazes de atender às necessidades de aprendizagem de uma força de trabalho que está cada vez mais ciente das mudanças climáticas e seu impacto na saúde, e está motivada a implementar mudanças em sua prática clínica para reduzir seu impacto ambiental negativo.
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