
por Kleber Carrilho
Publicado em 12/04/2025, às 11h31
Há um ano, meu filho mais novo, Gabriel, chegou ao mundo. Para nós, foi um momento de luz em meio a um planeta cada vez mais incerto. Por isso, é inevitável olhar para o que aconteceu nesse período e perceber o quanto o mundo mudou, ou o quanto ele continua sem saber para onde ir.
Então, para um registro nosso por aqui e para quando ele vier ler, lá do futuro, o que estava acontecendo, aqui vai um resumo. No plano internacional, a reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos foi o momento mais marcante. Ele voltou ao poder em meio à mesma polarização que o elegeu pela primeira vez, em 2016. Mas, agora, com menos freios e ainda mais poder sobre o Partido Republicano. Trump começou o novo mandato com tarifas agressivas contra a China, ameaças à OTAN e uma tentativa de reconstruir a ordem global nos moldes do seu nacionalismo (será que é isso mesmo?) econômico e político. A Europa, acuada, tenta se manter firme, mas sem lideranças claras e com muitos problemas internos, assiste a esse movimento sem conseguir responder de forma coesa.
No Oriente Médio, o conflito entre Israel e Hamas atingiu um novo patamar, com ações militares mais intensas e uma crise humanitária terrível em Gaza. Ao mesmo tempo, na Síria, após mais de uma década de guerra civil, o regime de Bashar al-Assad foi finalmente derrubado por uma coalizão rebelde. Um marco geopolítico que pode, ou não, significar o início de uma reconstrução, e que, mais uma vez, expõe o vácuo de responsabilidade das grandes potências.
O clima global também cobrou seu preço. Regiões do sul da Europa, do norte da África e do norte do Brasil sofreram com secas prolongadas e ondas de calor recorde. Grandes enchentes castigaram países como Paquistão, Indonésia e até mesmo a Alemanha. A pauta climática, no entanto, voltou a ficar em segundo plano diante da agenda da guerra, da recessão econômica e da pressão por crescimento rápido.
No Brasil, o governo Lula entrou em seu terceiro ano sem uma marca clara. A popularidade do presidente caiu, e o governo foi cada vez mais pressionado a ceder espaço a partidos à direita para manter a base no Congresso. A comunicação institucional falha, e a dificuldade em apresentar resultados concretos na economia ampliou o desgaste. A oposição segue dividida entre quem quer herdar o bolsonarismo e quem quer enterrá-lo, mas começa a se articular em torno de nomes mais viáveis. Enquanto isso, o Brasil real segue lidando com problemas crônicos de segurança, saúde e educação, agora agravados pela desigualdade digital e pela precarização do trabalho.
Ainda assim, o mundo não parou de avançar. Em meio ao caos, a ciência e a tecnologia deram saltos históricos. O Japão pousou uma nova sonda na Lua. O primeiro implante de chip cerebral em um ser humano foi realizado com sucesso, mostrando um novo futuro na medicina. A inteligência artificial já transformou a forma como trabalhamos, ajudando a organizar até mesmo este texto.
Em meio a tudo isso, o Gabriel cresceu. Aprendeu a engatinhar, começou a andar, ganhou cinco dentinhos e está quase com o sexto. Descobriu sabores, sons, texturas, e trouxe leveza a um mundo pesado.
Nesse ano tão cheio de conflitos, incertezas e avanços contraditórios, ele é uma lembrança viva de que, apesar de tudo, a vida continua. E que é justamente por esses pequenos futuros que a gente ainda precisa acreditar, planejar e, com todas as dificuldades, tentar fazer melhor.
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