
por Kleber Carrilho
Publicado em 04/11/2023, às 10h19
Faltam ainda quase três anos para a eleição presidencial de 2026, mas esta preocupação é fundamental para manter a democracia brasileira viva: quem vai se apresentar como candidato da direita com valores democráticos, ou do campo ideológico que no Brasil se convencionou a chamar de centro-direita?
Embora de um lado estejam os bolsonaristas ávidos por uma reviravolta jurídica que traga os direitos políticos do ex-presidente de volta, e de outro estejam os apoiadores de Lula satisfeitos com a possibilidade de reeleição, vale lembrar que democracia só existe quando há visões de mundo diferentes que, respeitando as regras, se apresentem à disputa.
O grande risco de que Lula seja alçado pela esquerda como um nome que não pode ser questionado traz um fato complexo: os eleitores que não quiserem reconduzir o atual presidente podem cair nos encantos de mais um aventureiro que, negando os valores democráticos, se apresente como um novo mito, com soluções irresponsáveis e discurso sedutor para uma parte da população desencantada.
O fator Milei na Argentina leva alguns a pensar que nós já passamos por isso em 2018, o que não é verdade. Bolsonaro não era um Milei, era um político experiente que surfou na onda do novo e da antipolítica. Porém, em um ambiente sem oposição organizada em torno de um nome que respeite a democracia, a possibilidade de que haja uma adoção rápida e inconsequente é enorme.
Portanto, os partidos à direita do PT, inclusive os que fazem parte do governo, precisam se organizar para apresentar um nome, mesmo que seja como um teste para a sucessão, que, com a possibilidade de Lula ser reeleito, deve ocorrer em 2030.
Isso caberia, na curta história da Nova República, ao PSDB. Mas, enquanto a nova versão dos tucanos não se reorganiza, estamos à mercê do que pode vir por aí, com todos os riscos que isso pode trazer.
Por isso, mesmo entre os apoiadores do presidente Lula, o ideal é que, ao aparecerem novos nomes à direita que respeitam a democracia, eles não sejam jogados na repetida nomenclatura de bolsonaristas ou de extrema direita.
Afinal, muito do que aconteceu na polarização política brasileira, se deu pela falta de aceitação de uma direita (e até mesmo de um centro) democrático, que foram lançados pela própria esquerda à categoria de fascistas ou outros termos que facilitam o discurso nas redes sociais, mas dificultam a sobrevivência da democracia.
E, até agora, não há nenhum nome que apareça como uma possibilidade. Que tal começarmos a pensar nisso?
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