
por Kleber Carrilho
Publicado em 17/08/2024, às 06h00
Quando a gente vê quais são as notícias mais clicadas nos portais, em geral as que estão no topo são as de fofoca. Fulano traiu sicrano, beltrano falou sobre o que gosta na cama, ex-BBB foi preso, etc. Depois, estão as de futebol, que também chamam atenção, principalmente quando tem escândalo, como expulsão ou erro do juiz. Mas, tirando essas, e observando apenas as relacionadas à política, as que falam de propostas concretas quase nunca aparecem. Principalmente na época eleitoral, que estamos vivendo agora, as matérias que destacam as performances dos candidatos ficam sempre à frente. Isso também acontece nas redes sociais.
É candidato que xingou a mãe do outro, é acusação de uso de drogas, diversos temas que mostram que, de verdade, a gente precisa entender melhor o jogo democrático. Afinal, se a imprensa e os influencers destacam isso, é porque tem gente para clicar, assistir e ler.
De tempos em tempos, tem candidatos que apostam apenas nessa estratégia. Não dão a mínima para desenvolver um plano de governo ou qualquer coisa que se pareça com isso. O objetivo é puramente tirar o foco de problemas reais para inventar temas que escandalizam e chamam a atenção dos desavisados, que infelizmente parecem ser a maioria.
Este é o caso de Pablo Marçal em São Paulo. Além das obviedades de promessas de coach, em que ele acredita, achando que pode resolver algum problema real, a intenção é desestabilizar e apostar que, com a visibilidade dada pela imprensa e pelas redes, ele possa chegar ao segundo turno, preferencialmente contra alguém com uma rejeição que não permita a eleição.
E, na disputa pela prefeitura paulistana, esse candidato ideal para ele existe: é Guilherme Boulos. Sem conseguir sair dos 40% de rejeição, o candidato do PSOL é o adversário dos sonhos para qualquer um.
Por isso, nos primeiros debates, Marçal deixou muito claro com quem estava falando. O episódio da carteira de trabalho, no último, foi tão bem pensado que pegou Boulos onde realmente dói. Afinal, ninguém que tenha anos de trabalho e carteira assinada teria problemas com essa distração.
Embora se tenha falado sobre os problemas e as possíveis soluções para São Paulo, o que ficou do debate para grande parte da imprensa (e consequentemente das pessoas) foi a cena patética de Boulos tentando dar um bote na CTPS que Marçal mostrava.
A campanha está só começando, e cabe a todos nós pensar nas soluções para as cidades, não somente propostas por candidatos a prefeito, mas também para quem quer ir para as Câmaras Municipais.
Nos próximos debates, preste atenção no que dizem sobre aquilo que realmente importa. E, se não disserem nada que preste, esqueça que representam uma ideologia ou um líder em que você confia. Simplesmente, não vote. Escolha outro ou outra que consiga organizar o pensamento e trazer algo fundamental para a política: a esperança de que se possa ter uma vida melhor.
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