Condenado na trama golpista, Silvinei fugia para El Salvador

Jair Viana Publicado em 26/12/2025, às 14h25
A prisão no Paraguai do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, ao tentar embarcar para El Salvador, não foi um caso isolado. A fuga internacional de figuras próximas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenadas ou investigadas pela Justiça brasileira pela trama golpista, tem se tornado recorrente.
Silvinei, condenado a mais de 24 anos de prisão por envolvimento na trama golpista de Jair Bolsonaro, foi detido no Aeroporto de Assunção quando se preparava para fazer uma escala no Panamá, país sem tratado de extradição com o Brasil, com destino final em El Salvador, nação governada pelo aliado Nayib Bukele. A rota planejada expõe o manual de evasão adotado pelo grupo: buscar países com pouca ou nenhuma cooperação jurídica com as autoridades brasileiras, muitas vezes utilizando conexões políticas previamente estabelecidas.

Essa tática de saída do país para evitar a prisão tem se repetido de forma sistemática. A lista de fugitivos é longa e inclui nomes de peso. O ex-deputado Daniel Silveira, condenado pelo STF, foi preso nos Estados Unidos após meses foragido. Antes dele, figuras como o jornalista bolsonarista Paulo Figueiredo, o influenciador Oswaldo Eustáquio e o youtuber Allan dos Santos já haviam se estabelecido no exterior, também buscando abrigo em solo americano.
Outro destino preferencial tem sido a Argentina, mesmo sob o governo de centro-esquerda de Alberto Fernández e, agora, de Javier Milei. Para lá seguiram a ex-deputada Carla Zambelli, alvo de múltiplos inquéritos, e o empresário e filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro. Ambos deixaram o Brasil após decisões judiciais desfavoráveis e seguem vivendo no país vizinho, longe do alcance imediato da Justiça brasileira.

O caso que mais explicitou as suspeitas de uma rede de auxílio organizada, no entanto, foi a fuga do ex-deputado e ex-chefe da Abin, Alexandre Ramagem. Condenado a quase nove anos de prisão por obstrução de Justiça no caso dos “porta-jatos”, Ramagem foi localizado e preso na Geórgia, país do Cáucaso com relações diplomáticas limitadas com o Brasil. A prisão ocorreu semanas após a condenação, levantando indícios de que ele contou com uma estrutura logística complexa para cruzar continentes e chegar a um refúgio considerado seguro.
Falso
No Paraguai, Silvinei foi preso com documentos falsos em nome de Júlio Eduardo Baez Fernandez, nascido em 14 de dezembro de 1981. Ele vai responder pelos crimes de falsificação de identidade e uso de documento com conteúdo falso. São crimes distintos, com penas que podem chegar a até oito anos de reclusão.

Crimes
Silvinei foi condenado na ação da trama golpista pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano ao patrimônio público e dano ao patrimônio tombado.

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