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Luto

Morre Benedito Ruy Barbosa, autor de "Pantanal" e "Terra Nostra", aos 95 anos

Dramaturgo, considerado um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, faleceu nesta terça-feira em São Paulo devido a complicações de insuficiência renal crônica

Benedito também revisitou suas obras, trazendo novas versões de clássicos e reafirmando sua importância na história da teledramaturgia nacional - Imagem: Reprodução/Globo Repórte
Benedito também revisitou suas obras, trazendo novas versões de clássicos e reafirmando sua importância na história da teledramaturgia nacional - Imagem: Reprodução/Globo Repórte

Letícia Sales Publicado em 07/07/2026, às 09h32


O dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira (7), na capital paulista, em decorrência de complicações causadas por insuficiência renal crônica. A confirmação foi feita pelo Hospital do Coração (HCor), unidade que já havia tratado o autor em janeiro deste ano, quando ele ficou 19 dias internado por uma infecção urinária associada ao mesmo quadro renal.

O corpo será velado nesta terça-feira, das 15h às 21h, no Funeral Home, no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo.

Uma vida dedicada às grandes sagas rurais

Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Benedito Ruy Barbosa se consagrou como um dos maiores contadores de histórias da televisão brasileira, construindo tramas que atravessam o universo rural do país e exploram sua diversidade cultural — com destaque especial para a imigração italiana. Seus enredos, marcados por amores intensos e conflitos familiares, deixaram um legado que inclui títulos como "Meu Pedacinho de Chão" (1971), "Pantanal" (1990), "O Rei do Gado" (1996) e "Terra Nostra" (1999).

Os protagonistas criados por ele costumavam carregar traços muito específicos, como o próprio autor definia: pessoas de "bom caráter, determinação para a luta, crença em valores positivos".

Da infância humilde ao sucesso na TV

Mais velho de cinco irmãos, Ruy Barbosa nasceu em Gália, no interior paulista, em 1931, e cresceu na vizinha Vera Cruz, região de cafezais habitada por imigrantes japoneses e italianos. Com a morte precoce do pai, precisou trabalhar desde cedo para sustentar a família, passando por funções como auxiliar de firma comercial, vendedor de verduras e faxineiro, até conseguir emprego como revisor no jornal "Estado de S. Paulo".

Foi ali que nasceu seu gosto pela escrita. Seu primeiro romance, "Fogo Frio", chegou a ser adaptado para o teatro e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, marcando o início de sua trajetória como roteirista.

Décadas de sucesso na teledramaturgia

Benedito estreou na televisão em 1966, com "Somos Todos Irmãos", exibida pela TV Tupi. Nos anos seguintes, circulou por emissoras como Excelsior, Record e TV Cultura, até assinar, em 1971, "Meu Pedacinho de Chão" — novela produzida em parceria entre a Cultura e a Globo.

Cinco anos depois, fechou contrato com a Globo, onde emplacou uma sequência de êxitos na faixa das 18h, incluindo a adaptação "Cabocla" (1979), baseada em romance de Ribeiro Couto.

Em 1990, ao migrar para a TV Manchete, escreveu "Pantanal", trama que inovou ao apostar em locações externas e mergulhar nos mistérios do bioma brasileiro. O sucesso o trouxe de volta à Globo, onde assinou "Renascer" (1993), ambientada no interior baiano e centrada no embate geracional vivido pelo coronel José Inocêncio. Tanto "Pantanal" quanto "Renascer" ganhariam refilmagens décadas depois, escritas por seu neto, Bruno Luperi.

Com "O Rei do Gado" (1996), o dramaturgo abordou a disputa entre duas famílias de imigrantes italianos, entrelaçando a trama com debates sobre posse de terra e reforma agrária. Já em "Terra Nostra" (1999), narrou o drama de Matteo e Giuliana, casal de imigrantes italianos separado ao chegar ao Brasil no início do século 20.

Revisitando a própria obra

Benedito também assinou refilmagens de seus próprios clássicos, como "Sinhá Moça" (2006) e uma nova versão de "Meu Pedacinho de Chão" (2014). Sobre esta última, o autor declarou que finalmente pôde exibir, com liberdade de cores e ideias, elementos que a Censura havia barrado na versão original, produzida durante a ditadura militar.

Em 2016, escreveu "Velho Chico", ambientada na fictícia Grotas do São Francisco, no sertão nordestino, novela que trouxe novamente o confronto entre gerações e a disputa por terra e poder no interior do país.

Em depoimento ao Memória Globo, Benedito Ruy Barbosa resumiu sua filosofia como escritor: "Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor".


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