O padre Tiago Pedroso Romancini, 35 anos, da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, em Altinópolis, SP, cerca de 360km da capital, decidiu usar a didática

Redação Publicado em 25/10/2021, às 00h00 - Atualizado às 16h26
O padre Tiago Pedroso Romancini, 35 anos, da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, em Altinópolis, SP, cerca de 360km da capital, decidiu usar a didática adquirida em seus anos como professor de história e o amor pelo Palmeiras para tornar o sermão da missa do último domingo mais leve e que fosse bem assimilado pelos fiéis. O sacerdote palmeirense usou a obsessão da torcida pelo título da Libertadores e, consequentemente, do Mundial da Fifa, para mostrar a importância de uma mensagem bíblica.
A passagem falava sobre um cego curado por Jesus Cristo que disse “para que eu veja”. O sacerdote, então, lembrou que os palmeirenses presentes ao ato pudessem ver o título na final contra o Flamengo, dia 27 de novembro, no estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai. E, também, claro, o tão cobiçado título mundial.
– Vou fazer um pedido bem bonito para Jesus agora, até para explicar o evangelho de hoje. Senhor, que eu veja em novembro o Palmeiras campeão da Libertadores e, depois, do Mundial, porque em 1951 eu ainda não era nascido, então não vi. Peço para ver agora – disse o padre (assista ao vídeo).
Em conversa por telefone com o ge, padre Tiago explicou que a ideia era fazer com que as pessoas entendessem melhor a mensagem proferida na missa.
– Foi um recurso para fazer as pessoas entenderem a leitura do dia, nem achei que ia dar tanta repercussão assim. A leitura era Jesus fazendo a cura de um cego, que se manifesta dizendo: “que eu veja”. Fui explicando dizendo que a gente possa ver as coisas boas que temos, família, trabalho, vida, mesmo neste contexto de negatividade. Eu gosto de futebol, aproveitei que está num contexto que as pessoas possam estar nesta expectativa – explicou.

Padre Tiago Pedroso Romancini durante missa em que pede título do Palmeiras — Foto: Reprodução/paróquia Nossa Senhora da Piedade
Contudo, o sacerdote lembrou que foi em tom de brincadeira e que não costuma pedir em suas preces conquistas para seu clube do coração.
– Eu sou palmeirense, a final da Libertadores é um evento importante, pensando na minha história de vida, fui obcecado por futebol, hoje aprendi a relativizar. Não é porque perde que vamos ficar triste, a vida continua. Na adolescência, eu via pela TV, não tive a oportunidade de ir em estádio, foi adulto. Mas imagina pedir lá pra Deus um título? O padre palmeirense pede, o corintiano, o flamenguista?! [risos] Então, tem de saber que a torcida é à parte da religião – disse.
O religioso, que gosta e acompanha o esporte, disse que enxerga o Flamengo favorito ao título, mas como a decisão é em partida única, o Palmeiras pode se valer de um detalhe para amealhar sua terceira Copa Libertadores.
– Flamengo é muito forte, acredito que tem mais chance. Mas por ser jogo único, então, imagino até a questão emocional dos jogadores, pode ser uma chance de o Palmeiras contar com um nervosismo, um erro. É jogo de detalhe, vai ser assim – arriscou.
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Globo Esporte
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