Técnico da equipe feminina de handebol de Sergipe, Alexandre Oliveira Dias dos Santos marcou o tempo entre a entrada na fila da alimentação nos Jogos

Redação Publicado em 30/10/2021, às 00h00 - Atualizado às 19h34
Técnico da equipe feminina de handebol de Sergipe, Alexandre Oliveira Dias dos Santos marcou o tempo entre a entrada na fila da alimentação nos Jogos Escolares Brasileiros 2021 (JEBs), neste sábado, 30 de outubro, e o momento em que finalmente se sentou para almoçar com as meninas. Entre 12h22 e 13h40, Alexandre e as jovens atletas, de 12 a 14 anos, aguardaram em pé, caminhando lentamente pela enorme fila que se formou no Parque Olímpico. E até acharam bom, em comparação com as mais de três horas de espera que a maioria dos atletas enfrentou na véspera, quando todos ainda se depararam com refeições pouco nutritivas como cachorro-quente, macarrão com salsicha e arroz com hambúrguer. No fim das contas, a manhã e a tarde deste sábado foram marcadas pelo rescaldo do caos vivenciado na quinta e na sexta-feira, dias 28 e 29 de outubro, pelos cerca de seis mil adolescentes inscritos nos Jogos.
– Nós levamos quase cinco horas para conseguir fazer a primeira alimentação no Rio, ontem – lembra Alexandre, ressaltando que neste sábado, primeiro dia oficial de competição, o cardápio estava bem melhor, com feijão, arroz, carne moída, peixe, batata frita e salada.

Alexandre e as atletas do time de handebol do Sergipe aguardando na fila para o refeitório — Foto: Reprodução
Os atletas, vindos de todas as regiões do país, também começaram o fim de semana já devidamente alojados em hotéis, com a resolução da crise de hospedagem dos dias anteriores, quando várias delegações descobriram que não tinham quartos reservados. Ainda assim, pais, filhos, treinadores e árbitros, mesmo animados com o início das provas, seguiram apontando problemas na organização do evento, promovido pelo governo federal e pela Confederação Brasileira de Esporte Escolar pela primeira vez desde 2004.
– Nós saímos de Marabá, no Pará, às 10h do dia 28. Pegamos 12 horas de ônibus até Belém, e depois um voo. Chegamos no Rio às 6h do dia 29, mas os meninos só conseguiram entrar num hotel às 22h30. Essas crianças ficaram com uma limitação horrível de alimentação, um desconforto total, em pé ou deitadas no chão, dentro do complexo olímpico – reclamou Paulo Alencar, treinador de três jovens nadadores paraenses.
Porta-voz da CBDE, Carlos Batalha admitiu que os organizadores enfrentaram dificuldades inesperadas, como o cancelamento de reservas por hotéis, mas garantiu que todos os atletas e técnicos conseguiram hospedagem até o início da madrugada deste sábado.
– A CBDE pede esculpas pelos problemas acontecidos nos dois primeiros dias. Não é fácil organizar uma competição envolvendo oito mil pessoas, aproximadamente, com estudantes, comissão técnica e familiares de muitos dos atletas. Mas neste sábado, quando começa a competição oficial, a coisa já está equacionada. Tivemos problema com overbooking na rede hoteleira, por exemplo. Mas hoje já se observa a alegria das crianças – disse Batalha, concordando que as filas para o almoço também precisam ser reduzidas. – Tudo está sendo feito para minorar esse tempo, com a montagem de mais duas tendas. Está realmente uma fila demorada. Mas todos os esforços estão sendo feitos.
Apesar dos esforços, os problemas seguiam, mesmo que em menor grau. Os árbitros de badminton, por exemplo, passaram a noite e a madrugada de sexta para sábado em um hotel pago pela Confederação Brasileira de Badminton e tiveram que ir para o Parque Olímpico novamente levando toda a bagagem.
– O campeonato começou com o problema das passagens, tem árbitro que ainda não conseguiu chegar. Depois teve o problema do hotel, com gente chegando no Parque Olímpico muito cedo e ficando até muito tarde. E mesmo assim a gente não conseguiu hotel, quem conseguiu foi a Confederação Brasileira de Badminton, para a gente passar essa noite. E agora a gente está aqui de novo sem hotel, de mala pra lá e mala pra cá. O transporte também não está ajudando. Era para passar 7h30 no hotel que a gente estava, mas a gente só conseguiu chegar aqui (no Parque Olímpico) agora, às 11h30. Atrasou todo o campeonato. Alguns têm passagem de volta e outros não têm, a gente não sabe quando vai terminar o campeonato e quantos árbitros nós teremos até lá – relatou o árbitro Filipe Mateus de Jesus

O teto baixo da arena de badminton dos JEBs 2021 — Foto: Reprodução
A competição de badminton, por sinal, não começou na manhã deste sábado, como deveria. Cerca de 40 partidas precisaram ser canceladas ou adiadas porque a arena temporária montada para as disputas da modalidade não era adequada por causa do teto, baixo demais. Depois de muita reclamação das delegações, foi decidido que o torneio acontecerá, neste domingo, na arena da ginástica artística.
– A dificuldade é que a quadra é muito baixa e tem um golpe de defesa em que a bola vai alto e bate no teto. Quando bate no teto, é falta – explicou o técnico da equipe do Rio Grande do Norte, Melquesimiel de Souza Silva.
Os Jogos Escolares vão até dia 5 de novembro, com 15 modalidades no Parque Olímpico, uma (atletismo) no Cefan e uma (basquete) em Deodoro.
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