A docente usou suas redes sociais para tentar se justificar

Nathalia Jesus Publicado em 23/04/2023, às 17h35
A professora Lorena Santos, de 28 anos, causou polêmica nas redes sociais após publicar uma foto com o que classificou como "look do massacre". Depois de uma série de ataques e críticas, a docente resolveu se manifestar e justificar o que aconteceu.
Em seu depoimento, a professora do Centro de Ensino Fundamental Zilda Arns disse que os docentes do Brasil "vivem com medo" e que isso já faz parte do cotidiano.
A forma como lidou com a situação dos ataques nas escolas, segundo ela, foi o jeito que encontrou para "lidar com o caos e as tragédias". "Já que a gente se vê de mãos atadas, a gente faz o que dá para fazer. Não foi diferente com essas ameaças. Já que não dá mais para gritar por segurança, gritar por socorro, a gente recorreu a 'o que que a gente pode fazer?' Usar uma roupa confortável, não usar salto, para se qualquer coisa acontecer, a gente esteja preparado."
"Nesse sentido, eu postei fazendo um paralelo àquela brincadeira que a gente faz: 'ah, se eu sofrer um acidente, pelo menos a minha calcinha não pode estar furada'. [?] A gente não tem o que fazer mais, a não ser se preocupar com uma coisa banal, que é uma roupa. A gente fica tão indignado que não tem o que fazer, que a única coisa que me resta é agir como sempre ajo diante de situações de caos, e traumas e perigos: esse tipo de humor ácido."
Na sequência dos stories, Lorena admite o erro e que talvez tenha faltado "delicadeza" nas palavras utilizadas em um momento tão sensível. Ela classificou a atitude como "sem noção" e "totalmente inapropriada", mas, fez questão deressaltar que prezaria pela vida de todos os seus alunos em um momento de ameaça.
A professora também afirmou que está lidando com as consequências de suas atitudes - ela foi intimada e prestou depoimentos à Polícia Civil do Distrito Federal -, mas acredita que elas precisam ser "proporcionais".
Além disso, Lorena disse que as acusações imputadas à ela de que estaria incentivando os ataques nas escolas seriam infundadas, já que, caso acontecesse, ela também seria prejudicada. "Eu estava lá, na linha de frente", afirmou.
"Para enfatizar que estou na linha de frente, sou também uma possível vítima desses ataques, das ameaças de ataques. Nós, professores, não tivemos o privilégio de escolha de não irmos à escola. Os alunos tiveram essa escolha de não irem para escola, mas nós tivemos que cumprir a nossa obrigação de estarmos lá", finalizou.
A professora usou o seu perfil nas redes sociais para publicar uma foto com a legenda "Look de hoje: especial massacre". Ela ainda acrescentou: "Se eu morrer hoje, estarei belíssima, pelo menos". O post foi apagado após inúmeras críticas.
A Secretaria de Estado de Educação do DF disse que vai apurar a conduta de Lorena. Em nota, a pasta afirmou que repudia "qualquer tipo de postagem que ressalte a violência" e reforçou "o compromisso e empenho na busca pela cultura de paz no ambiente escolar", de acordo com informações do UOL.
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