Polícia Civil tenta acalmar famílias

Marina Roveda Publicado em 12/04/2023, às 09h01
Boatos sobre possíveis ataques em escolas estão circulando em grupos de WhatsAppe causando medo entre pais, professores e alunos. Mensagens contendo informações sobre supostos Estados e escolas onde os ataques podem ocorrer, bem como perfis de supostos agressores e datas em que os ataques seriam realizados, têm sido compartilhadas em grande quantidade desde a última semana.
Esses boatos têm levado muitos pais a temer enviar seus filhos para a escola e alguns alunos a pedirem para ficar em casa. Embora as polícias de diversos Estados e o Ministério da Justiça afirmem estar trabalhando para combater ameaças reais, muitas das ameaças compartilhadas em mensagens de "alerta" são falsas, de acordo com as secretarias de segurança de São Paulo e Espírito Santo, Estados que tiveram ataques em escolas nos últimos anos com vítimas fatais.
Apesar da intenção de alertar amigos e familiares, especialistas alertam que compartilhar boatos não confirmados pode ter o efeito contrário ao desejado, incentivando uma agressão real. A Secretaria de Segurança de São Paulo pede que as pessoas pensem duas vezes antes de compartilhar boatos não confirmados, pois a divulgação de informações falsas pode servir para fomentar novos casos, criando um efeito contágio. Além disso, a advogada Ana Paula Siqueira ressalta que as pessoas que compartilham conteúdo duvidoso também têm responsabilidade por ele e podem ser responsabilizadas por danos causados por essa divulgação.
O WhatsApp, por sua vez, afirma que não tem acesso ao conteúdo criptografado trocado pelos usuários e não faz moderação de conteúdo, mas incentiva os usuários a denunciar condutas inapropriadas por meio da opção "Denunciar" disponível no aplicativo ou enviando um email para o suporte da plataforma. A empresa também afirma cooperar ativamente com as autoridades fornecendo dados disponíveis em resposta às solicitações de autoridades públicas e em conformidade com a legislação aplicável.
Recentemente, pesquisadores notaram um aumento significativo de novas contas e publicações relacionadas a comportamentos diferentes do que havia sido observado em anos de monitoramento de comunidades de adolescentes radicalizados que idolatram atiradores. De acordo com Letícia Oliveira, coautora do relatório sobre violência nas escolas entregue ao governo de transição no ano passado e editora do site El Coyote, que monitora grupos de adolescentesadmiradores de autores de ataques a escolas há 11 anos, esse aumento leva à conclusão de que não são esses adolescentes que estão por trás do novo conteúdo.
Oliveira aponta que muitas das supostas ameaças que estão sendo divulgadas em postagens alarmistas reutilizam as mesmas fotos, diversas delas retiradas de sites como Pinterest ou do buscador Google Imagens, o que sugere que os adolescentes radicalizados não estão envolvidos na maior parte dessas ameaças. Normalmente, quando esses adolescentes postam imagensque não são dos atiradores e agressores, são ‘fanarts’ feitas por eles mesmos ou fotos de si mesmos, não fotos do Pinterest.
O conteúdo que surgiu com esse aumento repentino de atividade online sobre ataques nas escolas também emprega uma linguagem muito diferente da usada pelos adolescentes, com gírias e formas de falar que lembram muito mais as usadas por facções criminosas. Segundo Oliveira, normalmente, a linguagem usada nesses grupos de adolescentes é muito mais próxima da de um fandom adolescente de artistas. Em resumo, as novas publicações sugerem que um novo grupo está por trás delas, não os adolescentes radicalizados que idolatram atiradores.
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