Jair Krischke é referência mundial em direitos humanos e ficou conhecido como Caçador de Torturadores e Assassinos Latino-Americanos

Ana Rodrigues Publicado em 15/12/2023, às 11h52
Conhecido como Caçador de Torturadores e Assassinos latino-americanos que se refugiaram no Brasil, Jair Krischke é referência mundial em direitos humanos. Sendo natural de Porto Alegre, o brasileiro ajudou a salvar duas mil vidas das ditaduras do continente.
O interesse pelo assunto começou há mais de 60 anos. Segundo o UOL, Krischke nasceu em 1938, em Porto Alegre, onde se formou em História pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e começou a se envolver com a pauta de direitos humanos em 1961.
Desde então, ele construiu sua carreira "caçando" torturadores na América do Sul. Durante toda sua vida, ela trabalhou para criar uma rede de pesquisadores e informantes, que colaborava para esclarecer mortes, desaparecimentos e sequestros ocorridos entre 1960 e 1980.
Apesar de não ter pegado em armas e nem mesmo ter sido preso durante o período da ditadura militar brasileira, Krischke teve um papel fundamental na militância política da época, tornando-se um símbolo da luta contra o regime e uma referência no tema de direitos humanos.
Em 1979, ele fundou o MJDH (Movimento de Justiça e Direitos Humanos). No site do movimento, a atuação - mesmo que na clandestinidade - do grupo de militantes no período da ditadura do continente latino-americano contribuiu para a preservação da vida de diversos perseguidos políticos.
Ele também é colaborador do Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados). Naquela época, sua principal missão com o MJDH era proporcionar asilo ou o exílio às vítimas da perseguição, e isso era feito em colaboração com o Acnur.
Durante os anos 1970, Jair Krischke investigou a Operação Condor, uma aliança entre as ditaduras da América do Sul. Em 2012, durante um seminário que foi promovido pela Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça, ele apresentou documentos que demonstravam a colaboração entre os governos brasileiro e argentino na prisão de militantes de esquerda.
E além de atuar no Brasil, atuou na Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai. Segundo o jornal O Globo, ele guardou consigo mais de 100 caixas de documentos que comprovam crimes cometidos na época e também a participação de militares de Brasil, Argentina, Chile e Uruguai na Operação Condor.
Em 2011, foi contemplado pelo Senado com a Comenda de Direitos Humanos Dom Hélder Câmara. O título é para aqueles que ofereceram uma contribuição importante para os direitos humanos no Brasil.
Quem trabalha com direitos humanos é sempre uma pessoa muito imbuída de esperança. É uma necessidade nossa ter esperança de que vale a pena", disse Jair Krischke ao Instituto Humanitas Unisinos.
Ele já foi chamado para testemunhar nos processos contra o Plano Condor na Itália e na Argentina, e suas pesquisas e documentos são utilizados por agências da ONU.
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