Domingo marcou o 75º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela ONU

Marina Roveda Publicado em 11/12/2023, às 08h13
No domingo (10), a Declaração Universal dos Direitos Humanos completou 75 anos. Esta carta de princípios, aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU), visa garantir uma vida digna a todas as pessoas em todo o mundo. Apesar dos anos passados desde sua adoção, ainda é um desafio para muitos alcançarem os padrões estabelecidos por este documento crucial.
Em uma entrevista ao Agência Brasil, Gleide Farias, líder comunitária de Porto de Areia, uma favela em Carapicuíba, São Paulo, expressou sua frustração com a disparidade entre os direitos proclamados e a realidade vivida por sua comunidade. "Se realmente existem os direitos humanos, por que não estão na prática? Por que não servem para todo mundo? Para o índio? Para os quilombolas? Cadê nossos direitos?! Onde foram parar?!", questiona ela.
Porto de Areia, que abriga cerca de mil famílias, enfrenta desafios como falta de infraestrutura, saneamento, água e energia. A luta por direitos fundamentais tornou-se parte do cotidiano da comunidade, refletindo a lacuna entre as aspirações da Declaração Universal dos Direitos Humanos e a realidade enfrentada por muitos no Brasil.
A declaração, composta por 30 artigos, foi aprovada em 10 de dezembro de 1948 por 50 dos 58 países membros da ONU na época. Seu propósito fundamental é estabelecer princípios básicos de direitos humanos e liberdades que devem ser considerados um padrão global para todas as nações. No entanto, a realidade muitas vezes não corresponde a esses ideais, criando um desafio contínuo para alcançar a promessa desses direitos fundamentais.
A líder da comunidade, Gleide Farias, destaca questões fundamentais: "A gente mora numa comunidade. Cadê o direito à água? Cadê o direito à luz? Cadê o direito dos meus filhos, dos filhos dos meu vizinho de ter uma escola boa? Cadê? Onde foram parar esses direitos?".
Mesmo diante dos desafios, a Declaração Universal dos Direitos Humanos permanece como uma referência crucial. Marcos Tolentino, historiador e ativista, ressalta a importância do documento: "Direito é uma conquista coletiva ou é um processo coletivo de reconhecimento. Às vezes, a gente pensa que o direito é algo que está dado, que é facilmente reconhecido e não é".
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