O dono da residência é gestor do centro cultural na comunidade Aglomerado da Serra, em BH

Jessica Anjos Publicado em 11/02/2023, às 10h50
De acordo com o morador, Kdu dos Anjos, na visão de um morador feliz aquele é o seu "barraco", mas para o mundo, a casa é digna de indicação a um prêmio internacional.
O projeto da residência é uma parceria entre Kdu dos Anjos e o arquiteto Fernando Maculan. "Uma casa feita de materiais utilizados na favela, mas com um sistema construtivo que permite mais ventilação e iluminação, além de outras soluções eficientes", comenta Fernando em entrevista ao UOL.
A Casa da Vila Pomar do Cafezal, localizada na comunidade Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, MG, foi indicada ao prêmio do Archdaily na categoria Construção do Ano 2023.
A residência se encontra em um terreno anguloso que tem aproximadamente 70 metros quadrados.
O morador diz que a construção foi feita com a ajuda de muita gente, dentre elas participantes do Coletivo Levante, que também assina a autoria da arquitetura. No coletivo há estudantes e engenheiros que tiveram como líder Fernando Maculane e Joana Magalhães no desenvolvimento do projeto.

Os arquitetos explicam que a casa é feita com bloco de 8 furos, um clássico nas favelas. "Só que o tijolo foi assentado na horizontal e revela sua face frisada, algo pouco comum no morro, uma vez que assentar o bloco em pé é mais rápido e faz com que o material renda mais", comentam. A explicação para a escolha é tornar a casa mais fresca.
Além disso, o bloco também se destaca como cobogó, ou seja, um combinado de blocos de concreto. Os idealizadores quiseram mostrar que conhecimento pode transformar um material comum em uma casa eficiente.
Nos preocupamos em observar com cuidado questões referentes ao fluxo das águas de chuva e sua absorção no terreno; em fazer pouca intervenção no solo; oferecer ventilação e iluminação naturais de forma generosa, além do controle de temperatura com elementos leves como as peças roliças de eucalipto e a vegetação. E, claro, aproveitar ao máximo a vista, que é extraordinária e que não se vê igual lá do asfalto", comentam.

Para construir sua casa, Kdu arrecadou fundos pensando em algumas das etapas da construção. "Conseguimos que empresas, fornecedores abraçassem a ideia, mas outras coisas, como mão de obra, precisam ser pagas", uma das ajudantes.
Foi então que mutirões, muito comuns na comunidade, começaram a acontecer. "Um pedreiro ajuda a fazer a casa do outro, para que todos tenham suas casas", comentou Fernando.
Kdu trabalha como gestor no centro cultural na favela. "Uma pessoa chave na comunidade e que nos ensinou muito. Tem que ter predisposição de viver o que é a favela. Pensar o projeto de dentro pra fora, não o contrário", defendeu o arquiteto.
A indicação foi motivo de orgulho não só para os envolvidos como para toda a comunidade. "Meu barraco tá indicado a casa mais doida do mundo! Finalistas na categoria "Casa do Ano" na Archdaily Mundial", escreveu Kdu nas redes sociais.
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