Com 286 nomes citados, universidade lidera entre brasileiras e mostra avanço consistente desde 2019

Gabriela Nogueira Publicado em 02/10/2025, às 19h54
A Universidade de São Paulo (USP) se destaca novamente no cenário científico mundial, com a inclusão de 286 pesquisadores na edição de 2024 da lista internacional dos cientistas mais influentes, elaborada pelo professor John P. A. Ioannidis da Universidade Stanford. Esta lista, que avalia os acadêmicos com base em indicadores padronizados de citações, representa o terceiro crescimento consecutivo da USP desde que a pesquisa foi iniciada em 2019.
O aumento de 11,3% em relação ao levantamento anterior, que contava com 249 nomes em 2023, traduz um ganho significativo na participação global da instituição, estimado em cerca de 5%. Em uma análise mais ampla, a USP registrou um crescimento acumulado de aproximadamente 23% em sua representatividade mundial nos últimos cinco anos.
Os resultados estão disponíveis na oitava edição do banco de dados "Updated science-wide author databases of standardized citation indicators", publicado em agosto de 2025. O repositório, acessível ao público através do Mendeley Data Repository da Elsevier, agrega informações sobre cientistas do mundo todo. A metodologia utilizada foi descrita em publicações anteriores na revista PLOS Biology.
Um aspecto central dessa classificação é o chamado c-score, que mensura o impacto dos pesquisadores por meio das citações recebidas, ao invés de apenas considerar a quantidade total de artigos publicados. O índice também leva em conta o número de coautores e ajusta os pesos conforme a posição do autor na publicação, considerando se é o autor único, o primeiro ou o último autor.
Além disso, a avaliação dos indicadores de citação padronizados considera tanto o impacto acumulado ao longo da carreira dos cientistas quanto o impacto obtido no ano de referência.
A USP abriga uma diversidade de pesquisadores distribuídos por várias áreas do conhecimento, com uma forte concentração nas disciplinas de saúde, medicina e ciências biológicas. As subáreas que se destacam incluem Odontologia (19 pesquisadores), Sistema Cardiovascular e Hematologia (12), Química Analítica (11) e Neurologia e Neurocirurgia (11). Também há representatividade significativa em áreas como Psiquiatria (10), além de subáreas como Imunologia, Agronomia, Microbiologia e Medicina Tropical, cada uma com 8 pesquisadores listados.
No contexto nacional, o Brasil registrou um total de 1.461 pesquisadores incluídos na lista, correspondendo a 0,6% do total global e posicionando-se na 24ª colocação mundial em 2024.
No Estado de São Paulo, cerca de 577 nomes foram reconhecidos, representando aproximadamente 40% do total brasileiro. Além da USP, outras instituições como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com 106 pesquisadores, e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), com 80, também se destacaram.
As universidades federais desempenham um papel crucial neste cenário: mais de 600 cientistas foram listados em 2024. Entre as mais proeminentes estão a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com 61 nomes; a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com 60; e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com 57 pesquisadores.
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