Corte de quase meio bilhão deve afetar manutenção, pesquisa e políticas estudantis em 2026

Gabriela Nogueira Publicado em 23/12/2025, às 13h34
O Congresso Nacional aprovou, na última sexta-feira (19), um corte expressivo no orçamento das universidades federais para 2026. A redução chega a R$ 488 milhões e representa uma queda de 7,05% nos recursos discricionários destinados às 69 instituições espalhadas pelo país. A decisão acendeu um alerta entre reitores e entidades do setor, que falam em agravamento de um cenário já considerado delicado.
Com a mudança, o montante previsto para as universidades federais caiu de R$ 6,89 bilhões para cerca de R$ 6,43 bilhões. Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, a Andifes, o impacto atinge diretamente despesas básicas que garantem o funcionamento diário das instituições, como contas de água e luz, manutenção de prédios, bolsas acadêmicas, pesquisa científica e compra de equipamentos.
A entidade afirma que o corte compromete atividades essenciais e pode afetar desde o calendário acadêmico até a continuidade de projetos de pesquisa. Um dos pontos mais sensíveis é a assistência estudantil, considerada fundamental para a permanência de alunos em situação de vulnerabilidade. Nesse setor, a redução prevista é de aproximadamente R$ 100 milhões, o que pode dificultar a execução da Política Nacional de Assistência Estudantil, voltada à ampliação do acesso e da permanência no ensino superior público.
O cenário preocupa especialmente universidades que já enfrentam dificuldades financeiras, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro, citada pela Andifes como um dos exemplos mais críticos. A associação destaca que, caso não haja recomposição, o orçamento de 2026 ficará abaixo do executado em 2025, sem considerar a inflação e os reajustes obrigatórios de contratos e serviços.
Além das universidades, agências de fomento à pesquisa, como Capes e CNPq, também sofreram cortes, o que amplia os riscos para a produção científica no país. Para a Andifes, a decisão compromete não apenas a rotina acadêmica, mas também o papel estratégico das universidades no desenvolvimento social, econômico e científico do Brasil.
Em nota, a entidade afirma manter diálogo com o Ministério da Educação e reconhece esforços para minimizar os impactos, mas defende medidas urgentes para recompor o orçamento aprovado pelo Congresso. A associação reforça que seguirá atuando junto ao governo federal e ao Legislativo em defesa do financiamento adequado da educação superior pública.
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