No Brasil, 1 em cada 7 adolescentes já sofreu abuso sexual alguma vez na vida

Vitória Tedeschi Publicado em 18/05/2023, às 18h02
A educação sexual, também chamada de educação em sexualidade, sempre foi um assunto considerado um tabu - proibido ou imoral.
De alguns anos para cá, diversas notícias falsas surgiram sobre o tema, fazendo com que ele fosse ainda mais desaprovada pelos pais e gerando dúvidas como: "O que se aprende com isso?", "Como a matéria pode beneficiar a saúde dos jovens?", e até mesmo, "Educação sexual é ensinar a fazer sexo?".
Para entrar neste assunto, antes de mais nada, vale começar esclarecendo o último questionamento citado e dizer que não, educação sexual não é ensinar crianças e adolescentes a "fazerem sexo", mas sim, a terem autonomia nas questões sexuais, despertando neles a responsabilidade de cuidar de seu próprio corpo e suas vontades.
A partir disso, é possível compreender o maior benefício dessa matéria, que é proporcionar a informação como uma ferramenta de proteção contra abusos, tanto no âmbito familiar quanto escolar, e, para isso, abordar temas como o sexo, gravidez, aborto, métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis.
Em suma, para ficar clara a importância de se ensinar assuntos sobre a sexualidade basta pensar que para uma criança evitar uma situação de estupro, por exemplo, ela deve aprender o que significam certos toques, que existem limites e que suas vontades devem ser respeitadas sempre. Assim como deve ter a noção de que tem responsabilidade de proteger seu próprio corpo.
A Organização das Nações Unidas (ONU) já declarou ser favorável à implementação da educação sexual no currículo escolar. Em nota, a organização afirmou que considera que a educação sexual está estritamente relacionada à promoção dos direitos humanos e o direitos das crianças e jovens, especificamente no qual toda pessoa tem direito à saúde, educação, informação e a não discriminação.
Neste cenário, vale citar que dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) mais recente feita sobre este tema, em 2019, e divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram um grave cenário de vulnerabilidade e abuso entre adolescentes no Brasil. De acordo com o estudo, 14,6% ou 1 em cada 7 adolescentes sofreu abuso sexual alguma vez na vida.
Além disso, também foi revelado no mesmo estudo que a violência sexual atinge mais meninas (20,1%) do que meninos (9%). E que 6,3% dos estudantes de 13 a 17 anos informaram que foram obrigados a manter relação sexual contra a vontade alguma vez na vida, sendo 3,6% dos meninos e 8,8% das meninas.
Os número citados acima estão estritamente ligados com a questão da violência sexual dos jovens e por isso, é de suma imporância reforçar que a educação sexual é uma maneira de prevenir e diminuir esses números.
A maioria das crianças, jovens e adolescentes é violada por parentes e pessoas próximas da família, são diversas notícias por dia de casos assim. Tios que violam as sobrinhas, pais que abusam das filhas e até avós que se aproveitam dos netos.
Episódios assim escancaram uma triste realidade no Brasil, em que milhares de crianças são violentadas no seu próprio lar. O lugar onde deveriam sentir-se seguras e acolhidas, é, na verdade, um local de terror psicológico, assédio, abuso e estupro.
Em cenários como estes, muitas vezes, a pessoa que é abusada desde a infância, não sabe que está sendo violada. Isso ocorre porque a criança não tem conhecimento sobre seu corpo, o que a torna ainda mais vulnerável. O eventual vínculo com o educador sexual, dá para as crianças abertura para que elas possam tirar dúvidas, falar sobre supostos abusos e fazer com que a denúncia seja feita de maneira mais rápida e segura.
Portanto, a educação sexual ensina à criança onde, quando e quem pode encostar nela ou não, desenvolvendo a ideia de consentimento e respeito, além de ensinar como reagir e a quem reportar, caso uma pessoa a toque de maneira inadequada. O que ajuda a evitar casos de abuso sexual na infância.
Vale lembrar que educação sexual é um direito de toda criança e adolescente. Por isso, ter um lugar seguro para poderem aprender sobre consentimento, sobre seus corpos e sobre segurança sexual, é fundamental para o desenvolvimento de um adulto saudável.
Para além de ser o pontapé inicial na prevenção do abuso sexual infantil, esse tipo de matéria nas escolas desde cedo pode trazer inúmeros outros benefícios. É o que defende o portal Dicas de Mulher. Veja:
Apesar dos benefícios citados acima, e de diversos outros que extrapolam as questões de saúde e segurança, a principal discussão entre pais, professores, políticos e pesquisadores da área da educação continua sendo se devem inserir ou não o assunto nas matérias escolares.
Dentre os argumentos favoráveis cita-se que, as crianças e adolescentes manifestam sua sexualidade no contexto da escola diariamente, assim, deve-se se reconhecer que a sexualidade pode ser tratada na escola de modo pedagógico.
Além disso, muitos jovens não recebem as instruções importantes e corretas sobre o sexo por parte dos pais e muitas vezes essa conversa nem sempre acontece em casa. Por isso, a escola deveria fornecer as informações necessárias.
Apoiando-se nestas ideias, a ONU oferece as instruções e manejos para o desenvolvimento e aplicação do assunto da maneira natural e correta dentro da sala de aula, veja abaixo:
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