Diário de São Paulo
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Encontro na Unicamp une etnias e busca fortalecer movimento estudantil indígena nas universidades

Evento recebe cerca de 2 mil estudantes com programação cultural e debates de conscientização. Número de alunos indígenas na Universidade de Campinas subiu 71% em 3 anos.

Aline de Souza da Silva, estudante indígena da Unicamp - Imagem: Reprodução | EPTV
Aline de Souza da Silva, estudante indígena da Unicamp - Imagem: Reprodução | EPTV

Publicado em 27/07/2022, às 08h33 G1


A formalização do movimento estudantil indígena é um dos objetivos do 9º Encontro Nacional dos Estudantes Indígenas (Enei), que começou nesta terça-feira (26) na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O evento reúne cerca de 2 mil estudantes de diversas etnias e busca ampliar a representatividade dos grupos no cenário nacional.
Sede da edição deste ano, a Unicampaplica, desde 2018, um vestibular exclusivo para a comunidade indígena. Em 2019, primeiro ano com estudantes aprovados pela seleção específica, a universidade somava 64 matriculados.
Já em 2022, 110 estudantes indígenas ingressaram na estadual, o que representa aumento de 71,8%. O crescimento da participação no vestibular exclusivo foi ainda maior: 307%.
Um dos organizadores do Enei, Arlindo Baré avalia que o espaço é importante porque debate a permanência na universidade, tema que aborda as políticas sociais aplicadas para que os estudantes consigam frequentar as aulas e viver em Campinas.

"Paralelamente, nesse ano no Enei vai acontecer o primeiro encontro plurinacional de estudantes indígenas, que é a ideia de institucionalizar o movimento estudantil. A gente formalizar para que tenha uma representatividade melhor e mais forte. Mais organizada", completou Baré.
Os quatro dias de atividades serão preenchidos com programação cultural e de debates de conscientização. Intelectuais, ativistas e artistas indígenas vão participar.
"Para nós, acadêmicos indígenas, é muito importante esse espaço para poder interagir com outros parentes, mas também trazer as nossas lutas, as nossas demandas do território", afirma a estudante Aline de Souza da Silva.

"Nós temos que aprender, temos que estudar e levar nosso nome em frente da nossa etnia e do nosso povo", analisa Kamayurá Pataxó, da etnia pataxó.

Participação recorde
Os cerca de dois mil universitários de todo o Brasil que se inscreveram para esta edição representam um número recorde segundo a organização.
Entre os eventos, há debates, oficinas, simpósios temáticos e atividades culturais e formativas. Também estão previstas as lideranças indígenas e a participação do DJ Alok no Teatro Arena na quinta (28).
A agenda vai até sexta (29), confira a programação completa abaixo ou no site do Enei.

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