Compra da icônica grife Versace pela Prada visa solidificar sua posição no competitivo mercado de luxo global

William Oliveira Publicado em 10/04/2025, às 13h12
Na última quinta-feira (10), o Grupo Prada, reconhecido como um dos líderes mundiais no setor de moda de luxo, anunciou a aquisição da icônica grife Versace, após semanas de intensas negociações. Este movimento visa não apenas solidificar a posição da Prada como um conglomerado italiano de luxo, mas também competir mais efetivamente com gigantes do setor, como LVMH e Kering.
O acordo de compra foi firmado por 1,25 bilhão de euros, equivalente a aproximadamente 1,4 bilhão de dólares. A Versace, que teve sua fundação em 1978 por Gianni Versace, destacou-se sob a direção criativa de sua irmã Donatella Versace, que se afastou do cargo em março de 2025 após três décadas à frente da marca.
Em 2018, a Versace foi adquirida pelo grupo americano Capri Holdings, que também controla outras renomadas marcas do setor de luxo, como Michael Kors e Jimmy Choo. Naquela ocasião, o valor da transação foi estimado em 2 bilhões de dólares, um montante superior ao que a Capri receberá com a venda para a Prada.
Especialistas do setor observam que a Versace enfrenta atualmente desafios significativos em sua estratégia de posicionamento. Nos últimos anos, o conceito de "luxo discreto" ganhou força entre os consumidores mais abastados, enquanto as criações da Versace são conhecidas por suas estampas vibrantes e ousadas.
A aquisição da Versace pela Prada é vista como uma forma de fortalecer a presença italiana no competitivo mercado global de luxo, que é amplamente dominado por conglomerados franceses e americanos. Embora a Itália represente entre 50% e 55% da produção mundial de bens de luxo pessoais, conforme estimativas da consultoria Bain & Company, falta ao país um grupo com a mesma escala dos líderes do setor.
Atualmente, a capitalização de mercado da Prada gira em torno de 14 bilhões de euros (aproximadamente 15 bilhões de dólares), tornando-a a maior empresa italiana do segmento em termos de receita. Contudo, quando comparada à LVMH, cuja avaliação ultrapassa os 300 bilhões de dólares, seu valor ainda é considerado modesto.
Achim Berg, consultor na indústria da moda e luxo, comentou sobre essa nova fase: "A ambição da Prada em se estabelecer como um conglomerado líder italiano é uma manobra significativa em um cenário dominado por grupos franceses. É exatamente isso que muitos italianos esperavam".
No horizonte futuro, as atenções se voltam para outras marcas icônicas como Armani e Dolce & Gabbana, que permanecem como empresas familiares não listadas na bolsa. O desfecho dessas trajetórias pode ser crucial para qualquer esforço em criar uma verdadeira potência italiana na moda global.
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