Auditoria indica que banco insistiu em negócio com o Master mesmo diante de suspeitas de fraude e alertas do Banco Central

Redação Publicado em 27/03/2026, às 10h12
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União levantou suspeitas sobre a gestão do Banco de Brasília na tentativa de aquisição do Banco Master, que foi barrada em 2025, apontando indícios de improbidade administrativa por parte de gestores e do Governo do Distrito Federal.
O relatório destaca falhas na análise da operação, como a falta de due diligence e projeções financeiras inconsistentes, além de alertas do Banco Central sobre a insolvência do Banco Master, que apresentava ativos inflacionados sem justificativas claras.
O TCU recomendou que os achados fossem enviados ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Distrito Federal para investigações adicionais, enquanto o ministro Jhonathan de Jesus suspendeu a análise sobre a atuação do Banco Central até que as investigações avancem.
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União lançou dúvidas sobre a condução do Banco de Brasília na tentativa de aquisição do Banco Master, operação que acabou barrada em 2025. Segundo o relatório, há “fortes indícios” de atos de improbidade administrativa por parte de gestores da instituição e do Governo do Distrito Federal.
O documento aponta que a cúpula do BRB manteve negociações com o grupo liderado por Daniel Vorcaro mesmo diante de suspeitas de fraudes, inconsistências financeiras e alertas reiterados do Banco Central do Brasil.
Para os auditores, houve falhas graves na análise da operação, incluindo ausência de uma due diligence adequada e uso de projeções consideradas inconsistentes. O relatório destaca que a insistência no negócio poderia gerar prejuízos bilionários aos cofres públicos.
A operação previa a aquisição de um banco que, segundo as investigações, já apresentava sinais de insolvência. Um dos pontos críticos identificados foi a divergência nos números apresentados: enquanto inicialmente foram informados cerca de R$ 25 bilhões em ativos, posteriormente o valor saltou para mais de R$ 31 bilhões, sem justificativas consideradas consistentes.
O TCU também criticou a postura do GDF ao acionar a Corte em diferentes momentos, interpretando a iniciativa como uma tentativa de reverter a decisão técnica do Banco Central, que havia vetado a compra por falta de viabilidade econômico-financeira.
“A tentativa de aquisição de um banco insolvente, com ativos aparentemente insubsistentes e potenciais passivos ocultos bilionários, representava risco significativo ao patrimônio público”, aponta o relatório.
O caso ganhou ainda mais relevância após a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central, em meio a investigações sobre fraudes financeiras de grande escala. O processo envolve apurações conduzidas pela Polícia Federal, além de análises no Supremo Tribunal Federal e na Controladoria-Geral da União.
Ao final da auditoria, o TCU recomendou o envio dos achados ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e ao Tribunal de Contas do Distrito Federal, para aprofundamento das investigações e eventual responsabilização dos envolvidos.
O processo está sob relatoria do ministro Jhonathan de Jesus, que decidiu suspender a análise sobre a atuação do Banco Central até o avanço das demais investigações.
O episódio levanta questionamentos sobre governança em instituições públicas e reforça o debate sobre transparência e responsabilidade na gestão de recursos financeiros de grande escala.
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