Tribunal de Contas da União abre auditoria para investigar a gestão da Previ, que administra R$ 200 bilhões e tem quase 200 mil participantes

por Marina Milani
Publicado em 08/02/2025, às 17h43
O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma auditoria urgente para investigar a gestão da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), um dos maiores fundos de pensão da América Latina. A entidade administra cerca de R$ 200 bilhões e tem quase 200 mil participantes. O ministro Walton Alencar Rodrigues apontou “gravíssimas preocupações” e destacou um prejuízo de R$ 14 bilhões no Plano 1 entre janeiro e novembro do ano passado, classificando o desempenho da Previ como “pífio” em comparação com anos anteriores.
Após a decisão do TCU, a Previ afirmou que seus planos estão equilibrados, apesar da volatilidade de 2024, e que não há risco de equacionamento ou necessidade de contribuições extraordinárias por parte dos associados ou do Banco do Brasil. O presidente da entidade, João Luiz Fukunaga, acusou o tribunal de agir politicamente e argumentou que o fundo registrou um superávit de R$ 528 milhões em novembro.
Parlamentares da oposição iniciaram a coleta de assinaturas para abrir uma CPI e investigar um possível rombo na Previ. Além disso, estudam convocar Fukunaga para prestar esclarecimentos no Senado. O líder da oposição na Câmara, Zucco (PL-RS), declarou que a investigação pode resultar em responsabilização dos culpados, enquanto Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que a apuração buscará esclarecer possíveis casos de má gestão.
Criada em 1904, a Previ garante benefícios previdenciários complementares aos funcionários e aposentados do Banco do Brasil. Seus recursos vêm de contribuições pessoais e patronais, investidos conforme a Política de Investimentos revisada anualmente. Apesar de ser patrocinador do fundo, o Banco do Brasil não é proprietário da Previ.
Fukunaga, primeiro sindicalista a presidir a Previ desde 2010, assumiu o cargo em 2023. Funcionário do BB desde 2008, tem formação em História e mestrado pela PUC-SP. Já atuou como pesquisador, professor e dirigente sindical, sendo um dos principais negociadores dos funcionários do banco antes de assumir a liderança do fundo. Seu mandato na Previ vai até 2026.
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