Banco Central liquida Entrepay após irregularidades; investigações apontam ligação com Daniel Vorcaro e ampliam impacto sobre gigantes do mercado de pagamentos.

Ana Beatriz Publicado em 27/03/2026, às 17h08
A liquidação extrajudicial da Entrepay pelo Banco Central expõe problemas financeiros graves e a possível atuação de Daniel Vorcaro como 'dono oculto', colocando credores em risco e ampliando o escândalo financeiro em curso.
A Entrepay, que processava pagamentos entre lojistas e bancos, teve seu funcionamento interrompido, o que pode causar prejuízos em cadeia, afetando grandes empresas como Visa e Mastercard, além de fintechs e instituições financeiras expostas.
O caso levanta preocupações sobre a fragilidade do sistema de pagamentos e pode acelerar mudanças regulatórias, aumentando a fiscalização sobre instituições de pagamento, enquanto consumidores enfrentam riscos de descompasso financeiro nas transações.
A liquidação extrajudicial da Entrepay pelo Banco Central nesta sexta-feira (27) abriu um novo capítulo no escândalo financeiro envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, já investigado por fraudes bilionárias no sistema financeiro. A medida foi tomada após a identificação de graves problemas econômico-financeiros e descumprimento de normas que colocaram credores em risco.
As autoridades brasileiras apuram se Vorcaro atuava como “dono oculto” da instituição de pagamentos, operando por meio de terceiros dentro da estrutura da empresa. O diretor da Entrepay, Antônio Carlos Freixo Júnior, é apontado como operador ligado ao esquema e teve bens bloqueados no curso das investigações.
A suspeita reforça a conexão da Entrepay com o chamado “caso Master”, que já resultou na liquidação de instituições financeiras e na prisão de Vorcaro em março deste ano, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga crimes como fraude, lavagem de dinheiro e manipulação financeira.
Impacto direto no mercado de pagamentos
A Entrepay atuava principalmente no processamento de pagamentos por meio de maquininhas de cartão, conectando lojistas, bancos e bandeiras. Com a liquidação, esse fluxo foi interrompido, o que pode travar repasses financeiros e gerar prejuízos em cadeia.
O efeito atinge diretamente gigantes globais como Visa e Mastercard, que podem assumir prejuízos relacionados a operações de crédito já realizadas, mas ainda não liquidadas. Em situações semelhantes, como no colapso de instituições ligadas ao Banco Master, perdas chegaram à casa dos bilhões de reais.
Além das bandeiras, empresas fintechs e instituições que tinham exposição à Entrepay também podem sofrer impactos, ampliando o risco sistêmico dentro do setor financeiro.
Risco sistêmico e efeito dominó
O episódio reforça preocupações sobre a fragilidade de estruturas intermediárias no sistema de pagamentos, especialmente aquelas que operam com grande volume de transações sem supervisão robusta.
Especialistas apontam que o caso pode acelerar mudanças regulatórias, com maior rigor na fiscalização de instituições de pagamento e fundos ligados ao sistema financeiro, repetindo o movimento já observado após a crise do Banco Master.
A liquidação também levanta um alerta para consumidores e comerciantes: mesmo que continuem pagando suas faturas, os valores podem não chegar ao destino final, criando um descompasso financeiro dentro da cadeia de pagamentos.
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