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Setor de serviços apresenta crescimento contínuo e atinge novos recordes

Transportes e turismo impulsionam resultados positivos

Transportes e turismo impulsionam resultados positivos - Imagem: Reprodução / Paulo Pinto / Agência Brasil
Transportes e turismo impulsionam resultados positivos - Imagem: Reprodução / Paulo Pinto / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 12/11/2025, às 15h49


O setor de serviços brasileiro, que desempenha um papel crucial na economia do país ao ser o maior empregador, registrou um crescimento de 0,6% entre os meses de agosto e setembro. Este resultado marca a oitava alta consecutiva do setor, resultando em uma expansão acumulada de 3,3% nos últimos oito meses. Quando comparado ao mesmo período do ano anterior, setembro de 2024, o crescimento é ainda mais significativo, alcançando 4,1%. No total acumulado em um ano, a variação positiva se estabelece em 3,1%.

Esses números colocam o setor de serviços no maior nível já documentado. Desde abril deste ano, o setor vem quebrando recordes de atividade. Em setembro, os dados revelaram que o setor está 19,5% acima dos níveis registrados antes da pandemia de COVID-19, especificamente em fevereiro de 2020.

As informações foram apresentadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) durante a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços nesta quarta-feira (12), no Rio de Janeiro.

No comparativo entre o segundo e o terceiro trimestres, houve uma variação positiva de 0,9%. O ciclo atual de crescimento se equipara ao observado entre fevereiro e setembro de 2022, quando o Brasil tentava se recuperar dos impactos da pandemia. No entanto, é importante ressaltar que a expansão acumulada naquele período foi superior, atingindo 5,6%.

Entre os oito meses consecutivos de crescimento em 2025, setembro se destacou como o segundo melhor resultado até agora, perdendo apenas para fevereiro (0,9%). O setor engloba diversas atividades essenciais como turismo, restaurantes, salões de beleza e tecnologia da informação e serve como um termômetro do desempenho econômico nacional. O IBGE analisa um total de 166 categorias dentro deste segmento.

Destaque para os Transportes

Dos cinco segmentos analisados pelo IBGE, três apresentaram crescimento significativo na transição entre agosto e setembro:

  • Transportes, armazenagem e correio: +1,2%
  • Serviços de informação e comunicação: +1,2%
  • Outros serviços: +1,6%

Por outro lado, dois segmentos mostraram declínio:

  • Serviços prestados às famílias: -0,5%
  • Serviços profissionais e administrativos: -0,6%

Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE, destacou que o grupo de transportes — responsável por 36,4% do índice — tem sido a principal força motriz do setor nos últimos oito meses. Esse crescimento foi particularmente impulsionado pelo aumento no transporte de cargas e na aviação comercial.

No caso específico do transporte aéreo de passageiros, a análise do IBGE aponta um aumento no número de deslocamentos devido a fatores como melhorias na renda da população e uma diminuição nos preços das passagens aéreas.

"O crescimento na logística de transportes está diretamente relacionado ao aumento nas vendas online. Isso movimenta não apenas o armazenamento das mercadorias mas também toda a logística necessária para levar os produtos até os consumidores", explicou Lobo.

No acumulado dos últimos 12 meses, o segmento de transportes apresentou um crescimento global de 3,1%. A safra recorde do ano também contribui significativamente para esse desempenho positivo.

A análise indica uma correlação direta entre o aumento na receita das empresas que operam no transporte rodoviário de cargas e o incremento no escoamento das safras agrícolas.

Crescimento no Turismo

A Pesquisa Mensal de Serviços também revelou um leve aumento no Índice de Atividades Turísticas (Iatur), que subiu 0,1% em setembro em relação ao mês anterior. Ao longo do ano, este índice acumula uma expansão impressionante de 5,7%, enquanto no intervalo dos últimos 12 meses apresenta um avanço total de 6,6%.

Lobo atribui parte desse crescimento ao desempenho favorável do transporte aéreo para passageiros. As atividades turísticas estão agora 11,5% acima dos níveis pré-pandemia (fevereiro de 2020) e a apenas 2% abaixo do maior patamar já registrado em dezembro de 2024.

A cidade de Belém destaca-se com a maior alta registrada no período analisado: um crescimento notável de 4,9% entre agosto e setembro. Lobo sugere que essa elevação pode estar relacionada à antecipação nas reservas para hospedagem devido à proximidade da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em novembro na cidade.

O índice referente às atividades turísticas considera um conjunto de 22 entre as 166 categorias analisadas na pesquisa que estão diretamente ligadas ao turismo, incluindo hotéis e agências de viagens.


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