Reajuste de 6,79% deve aquecer consumo e ampliar impacto em benefícios sociais

Erika Osti Publicado em 02/01/2026, às 15h21
O ano de 2026 começa com uma mudança significativa no bolso de milhões de brasileiros. O salário mínimo nacional passa a ser de R$ 1.621, após um reajuste de R$ 103 em relação ao valor anterior. O aumento representa 6,79% e, segundo estimativas oficiais, deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia ao longo do ano, movimentando comércio, serviços e ampliando a renda de famílias que dependem diretamente desse piso salarial.
O novo valor não afeta apenas trabalhadores com carteira assinada. Ele serve de referência para aposentadorias, pensões e programas sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Com isso, cerca de 25 milhões de pessoas terão seus rendimentos reajustados automaticamente.
O cálculo do reajuste segue a política de valorização que considera a inflação medida pelo INPC do ano anterior e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos atrás. Em 2024, o PIB registrou alta, o que contribuiu para o aumento acima da inflação.
Especialistas avaliam que o impacto será sentido principalmente no consumo das famílias de baixa renda, que destinam a maior parte do orçamento para alimentação, transporte e moradia. O comércio popular deve ser um dos setores mais beneficiados, já que o reajuste amplia o poder de compra em um momento de recuperação econômica.
Por outro lado, empresários de pequenos negócios alertam para o aumento dos custos com folha de pagamento. Ainda assim, economistas destacam que o efeito líquido tende a ser positivo, já que o dinheiro circula mais e fortalece a arrecadação de impostos.
O governo estima que o reajuste também terá reflexos nas contas públicas, já que benefícios previdenciários e assistenciais são atrelados ao mínimo. Apesar disso, a equipe econômica afirma que o impacto fiscal está dentro do previsto e não compromete o equilíbrio das contas.
Com a medida, o Brasil mantém a tradição de iniciar o ano com a atualização do piso nacional. O último reajuste havia ocorrido em janeiro de 2025, quando o mínimo passou de R$ 1.412 para R$ 1.518, representando um acréscimo de R$ 106.
Apesar da correção, especialistas lembram que o valor continua muito abaixo do necessário para atender às necessidades básicas de uma família. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo ideal deveria ter sido de R$ 7.067,18 em novembro de 2025. O cálculo leva em conta despesas essenciais como alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência.
Essa discrepância evidencia o desafio enfrentado por milhões de brasileiros que vivem com o piso nacional. Enquanto o reajuste traz algum alívio e aquece o consumo popular, o contraste com o valor considerado adequado pelo Dieese mostra que o valor do salário mínimo ainda está longe de ser o ideal.
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