Diário de São Paulo
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Tarifas de Trump

Nobel de Economia diz que tarifaço de Trump tende a fortalecer Lula e elogia avanço do Pix

Paul Krugman afirma que as tarifas dos Estados Unidos terão impacto econômico limitado, critica a ofensiva contra o sistema brasileiro de pagamentos e avalia que a medida pode gerar efeito político favorável ao governo brasileiro.

Paul Krugman afirmou que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos dificilmente atingirá seus objetivos e voltou a elogiar o Pix como exemplo de inovação financeira. - Imagem: Reproduyção / El País
Paul Krugman afirmou que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos dificilmente atingirá seus objetivos e voltou a elogiar o Pix como exemplo de inovação financeira. - Imagem: Reproduyção / El País

Redação Publicado em 20/07/2026, às 11h17


Paul Krugman, economista e vencedor do Prêmio Nobel, argumenta que as tarifas de 25% impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros podem não atingir seus objetivos e, ao contrário, fortalecer o governo de Lula.

Ele destaca que as tarifas terão impacto econômico limitado, pois muitos produtos afetados ainda são altamente demandados no mercado americano, e elogia o sistema de pagamentos Pix como um modelo inovador.

Krugman critica a resistência dos EUA a inovações financeiras e sugere que as tarifas podem ter um efeito político adverso, reforçando a posição de Lula em meio a tensões diplomáticas entre os países.

O economista norte-americano Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008, avaliou que as tarifas de 25% impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros dificilmente alcançarão os objetivos pretendidos pelos Estados Unidos. Em artigo publicado nesta segunda-feira (20), o professor afirmou que a medida poderá, inclusive, fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo Krugman, as novas tarifas terão alcance econômico limitado e não devem comprometer significativamente as exportações brasileiras, especialmente porque parte dos produtos afetados possui forte demanda no mercado norte-americano.

No texto, o economista também voltou a elogiar o Pix, sistema instantâneo de pagamentos desenvolvido pelo Banco Central, apontando que ele representa um modelo de inovação financeira que pode servir de referência para outros países.

Krugman argumenta que o governo Trump tenta penalizar o Brasil justamente pelo sucesso alcançado pelo sistema brasileiro de pagamentos digitais.

"Por que seria injusto um país oferecer aos seus cidadãos uma forma melhor de pagar contas e realizar compras?", questiona o economista.

Na avaliação do Nobel, a reação americana demonstra resistência a mudanças tecnológicas que desafiam modelos tradicionais do sistema financeiro. Ele afirma ainda que a administração Trump estaria contrariando avanços em diferentes áreas, incluindo inovação monetária.

Krugman também cita um relatório publicado pelo Federal Reserve (Fed) em 2022, que classificou o Pix como uma forma de moeda digital emitida pelo Banco Central, semelhante ao dinheiro físico em circulação.

Embora reconheça que o Brasil, isoladamente, não possui capacidade para alterar o equilíbrio do sistema financeiro internacional, o economista afirma que tecnologias semelhantes poderão ganhar escala nos próximos anos. Como exemplo, ele menciona o projeto de criação do euro digital pelo Banco Central Europeu, previsto para os próximos anos.

Para Krugman, a ausência de um dólar digital decorre mais da resistência política e de interesses econômicos do que de limitações técnicas.

O professor também avaliou que a adoção das tarifas poderá produzir um efeito político contrário ao esperado pela Casa Branca, fortalecendo o governo Lula em um momento de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos.

Na conclusão do artigo, Krugman afirma que as tarifas refletem uma estratégia equivocada da administração Trump e sustenta que medidas dessa natureza dificilmente impedirão a evolução dos sistemas modernos de pagamentos.


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