Apesar da queda na produção de milho e outras culturas, a área plantada deve aumentar em 1,1%

Gabriela Thier Publicado em 13/11/2025, às 14h50
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira (13) suas primeiras projeções para a safra de grãos, cereais e leguminosas do Brasil em 2026, estimando uma produção total de 332,7 milhões de toneladas. Este número representa uma diminuição de 3,7% em relação ao recorde histórico previsto para este ano, que é de 345,6 milhões de toneladas, o maior já registrado no país.
As informações foram apresentadas no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, uma publicação mensal do IBGE. O gerente de Agricultura da instituição, Carlos Alfredo Guedes, destacou que o clima desempenhou um papel crucial na comparação entre os anos. "Em 2025, tivemos condições climáticas favoráveis que impulsionaram o desenvolvimento das lavouras, resultando em recordes para diversas culturas, como soja e milho", explicou.
Para o ano de 2026, Guedes alertou que as previsões ainda são preliminares e dependem das condições climáticas futuras. A expectativa é que o fenômeno La Niña influencie o clima do país, trazendo chuvas intensas para a Região Centro-Oeste enquanto áreas do Sul podem enfrentar escassez hídrica. Esse cenário pode impactar negativamente a produtividade das lavouras.
Ainda assim, a área total destinada à colheita deve aumentar em 1,1%, totalizando aproximadamente 81,5 milhões de hectares. Esse número é quase equivalente à área total do estado do Mato Grosso.
O levantamento do IBGE abrange 16 produtos agrícolas, incluindo algodão, amendoim, arroz e soja. Para 2026, espera-se uma queda significativa na produção de várias culturas-chave:
A diminuição na produção de milho é particularmente preocupante. Guedes comentou sobre a incerteza em relação à janela de plantio deste cereal devido ao atual desenvolvimento das lavouras de verão.
Os preços dos produtos agrícolas também exercem influência nas decisões dos produtores. De acordo com Guedes, a queda nos preços do algodão e do arroz tem levado muitos agricultores a reduzir suas áreas plantadas. O analista citou que três anos consecutivos de colheitas elevadas resultaram em um excesso de oferta e na consequente diminuição dos preços.
No entanto, as expectativas são mais otimistas para a soja. O IBGE prevê um crescimento na safra da oleaginosa de 1,1%, alcançando 167,7 milhões de toneladas. Isso se deve principalmente à recuperação das lavouras no Rio Grande do Sul.
Em um panorama mais amplo, a capacidade total de armazenagem agrícola no Brasil aumentou em 1,8%, totalizando 231,1 milhões de toneladas. Este incremento é essencial para garantir que os agricultores possam otimizar seus estoques e maximizar a rentabilidade ao escolher o momento mais oportuno para a venda.
A Companhia Nacional Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, também fez suas previsões nesta quinta-feira e estima que a safra 2025/2026 será ainda maior, alcançando 354,8 milhões de toneladas.
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