Campos Neto ressaltou que a prioridade é a atração de investimentos

Marina Roveda Publicado em 15/02/2023, às 12h12
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, explicou nessa terça-feira (14) que os questionamentos sobre a Selic são comuns, mas que é necessário adotar uma política que aumente a credibilidade do país com a finalidade de atrair investidores.
“É justo questionar os juros altos, acho que é importante ter alguém que faça esse papel no governo sempre, faz parte do jogo, do equilíbrio natural. Quando o juro real está alto, ter um debate sobre por que ele está alto é super legítimo, e é um trabalho do Banco Central esclarecer e melhorar a comunicação. O debate é sempre importante, mas, no Brasil, a gente não está agora em um período em que seria bom experimentar. Nosso principal objetivo é entender como a gente faz melhorar a credibilidade. Mas o papel do Banco Central é olhar um ciclo mais longo”, indicou.
A declaração foi feita durante o CEO Conference, organizado pelo BTG Pactual, em meio a debates sobre o atual patamar e rumos da taxa de juros do país.
O economista complementou que há “uma enorme boa vontade” nos fluxos de investimentos para o Brasil e que esse momento pode ser aproveitado se houver credibilidade e instituições fortes. Campos Neto defendeu a autonomia do Banco Central e citou como a mudança desta postura afetou outros países, como Peru e Chile. “Quanto mais fortes as instituições, mais intenso pode ser o debate”. Mas, por outro lado, ponderou que não é papel da autoridade monetária interferir na decisão sobre as metas de inflação, fazendo referência às críticas de Lula sobre a atuação do BC, almejando fixar a taxa de juros em 4,5%.
“É importante respeitar as instituições e jogar com as regras do jogo”, relembrou o economista. Ele também elogiou o atual ministro da Fazenda, Fernando Hadadd, e seu plano de política econômica, ressaltando a necessidade de debater soluções com o governo.
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