Diário de São Paulo
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Passagens mais caras e menos opções para os consumidores: o que esperar da fusão entre Azul e Gol

A fusão ainda precisa da aprovação do Cade e Anac, que podem impor condições para garantir a concorrência no setor

A união entre Azul e Gol pode criar barreiras para novas companhias, mas promete aumentar a conectividade em várias regiões. - Imagem: Reprodução | Agência O Globo
A união entre Azul e Gol pode criar barreiras para novas companhias, mas promete aumentar a conectividade em várias regiões. - Imagem: Reprodução | Agência O Globo

por Marina Milani

Publicado em 21/01/2025, às 16h14


Especialistas alertam para as possíveis consequências da fusão entre as companhias aéreas Azul e Gol, que, caso concretizada, poderá concentrar até 60% do mercado nacional de aviação civil sob um único grupo. A combinação de forças entre as duas empresas levanta preocupações sobre o aumento nos preços das passagens aéreas.

Alessandro Oliveira, professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), enfatiza que uma redução na concorrência pode resultar em tarifas mais elevadas. Ele explica que, com menos players no mercado, os consumidores podem esperar um aumento nos custos dos bilhetes.

José Roberto Afonso, economista e docente do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), corroborou essa visão, destacando que a fusão pode levar a um incremento nas tarifas aéreas. "As empresas estão enfrentando uma carga significativa de endividamento e, assim, um ajuste operacional pode significar vender passagens a preços mais altos para compensar a falta de mudanças no capital", afirmou Afonso.

A interação entre Gol e Azul pode gerar um efeito dominó que impactará também a Latam, a única outra companhia aérea nacional de grande porte. Cleveland Prates, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), alerta que a Latam poderia optar por elevar seus preços em resposta ao novo cenário de mercado. "A coordenação tácita pode fazer com que a Latam decida acomodar-se ao aumento de tarifas ao invés de intensificar a competição", observou Prates.

Para que a fusão se torne realidade, o acordo ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). No último dia 15, Azul e a controladora da Gol, Abra, formalizaram um memorando de entendimento que visa à realização da fusão.

A aprovação do Cade é crucial para evitar abusos de poder econômico e garantir a concorrência saudável no setor. Ex-conselheiro Cleveland Prates destacou que o Cade pode impor condições rigorosas para o fechamento do negócio, como limitar slots nos aeroportos ou exigir a venda de programas de fidelidade. Contudo, essas imposições poderiam desestimular o interesse das empresas na fusão.

Após o anúncio da fusão, Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos, expressou otimismo em relação ao fortalecimento do setor. Ele enfatizou que o governo atuará vigilante para prevenir aumentos nas tarifas aéreas. "Estamos comprometidos em assegurar que não haja elevação nos preços das passagens", afirmou o ministro.

Apesar disso, especialistas alertam que a concentração de mercado pode criar barreiras à entrada de novas companhias aéreas. Oliveira ressalta que a fusão poderia resultar em uma empresa dominante capaz de solidificar seu poder no setor através da gestão eficiente de recursos como slots em aeroportos e pacotes tarifários atrativos.

Em resposta às preocupações sobre a fusão, tanto Azul quanto Gol se manifestaram afirmando que estão comprometidas com a viabilidade do acordo. O CEO da Azul, John Rodgerson, argumenta que essa união beneficiará os consumidores ao aumentar a conectividade em diversas regiões do Brasil.

Rodgerson acrescentou: "Com mais cidades atendidas e maior conectividade proporcionada pela fusão, esperamos criar um cenário positivo para todos os envolvidos." Entretanto, ele admitiu que Congonhas é o único aeroporto atualmente sem capacidade para suportar novas companhias aéreas.


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