Com as crises que atingiram o Brasil nos últimos 10 anos, incluindo a provocada pela Covid-19, as grandes redes de supermercados do país estão mudando suas

Redação Publicado em 16/10/2021, às 00h00 - Atualizado às 20h52
Com as crises que atingiram o Brasil nos últimos 10 anos, incluindo a provocada pela Covid-19, as grandes redes de supermercados do país estão mudando suas estratégias para crescer num cenário de retomada lenta da economia. Entre as apostas para expansão estão os atacarejos e os mercados de bairros.
Na quinta-feira (14), por exemplo, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) fechou a venda de 71 pontos comerciais da bandeira Extra Hiper para o Assaí e anunciou que deixará de operar com o modelo de hipermercado no Brasil.
Segundo Jorge Faiçal, CEO do GPA, a saída do segmento de hipermercado vai intensificar o foco e a aceleração da expansão dos negócios de maior rentabilidade da companhia “por meio dos segmentos premium e de proximidade”, por meio das bandeiras Pão de Açúcar, Minuto e Mercado Extra.
O Assaí abriu 150 lojas na última década, sendo 25 conversões de unidades do Extra Hiper.
O Carrefour Brasil também entrou no segmento de atacarejos, ao comprar 30 lojas da rede Makro no Brasil em 2020 por R$ 1,95 bilhão. Em junho deste ano, a companhia afirmou que 28 das 29 lojas foram convertidas para sua bandeira de atacarejo Atacadão e que a restante foi reformada para servir de “atacado de entrega pelo Atacadão”.
O Carrefour também anunciou em fevereiro acordo para compra da totalidade das ações do Grupo Big Brasil (ex-Walmart Brasil) por R$ 7,5 bilhões.
Em comunicado, a rede de origem francesa disse que a aquisição do Grupo BIG “expandirá a presença do Carrefour Brasil em regiões onde tem penetração limitada, como o Nordeste e Sul do país, e que oferecem forte potencial de crescimento”.
Com a aquisição, o Carrefour Brasil passará a administrar a bandeira Sam’s Club, através de um contrato de licenciamento com o Walmart. Vale lembrar que a empresa também detém a bandeira Carrefour Bairro.
Apesar do crescimento no número de atacarejos pelo país nos últimos meses, Fábio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), afirma que o modelo existe desde a década de 1960 e atrai quem quer economizar comprando em grandes quantidades.
Com a queda do poder de compra dos brasileiros, os atacarejos ganharam sentido para as redes supermercadistas, uma vez que os consumidores passaram a priorizar preços mais baixos para as compras do mês, explicou Bentes.
“Eles têm uma estrutura enxuta, autosserviço e oferecem descontos para quem compra no atacado e às vezes também para quem compra no varejo. Por terem essa possibilidade de preço menor, acabaram ganhando força na última década”, disse Bentes.
Os mercados de bairro, por outro lado, são focados em conveniência e geralmente estão localizados em bairros de classe média e alta.
“O atacarejo é um modelo mais antigo de comércio que ganhou força na última década, enquanto o mercado de bairro é mais novo e se popularizou com a pandemia”, explicou ele.
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