Mudanças do Banco Central reforçam rastreamento de transações suspeitas e facilitam devolução de valores em casos de fraude

Erika Osti Publicado em 02/02/2026, às 15h27
Entram em vigor nesta segunda-feira (2) as novas regras de segurança do Pix definidas pelo Banco Central, com foco no combate a golpes e fraudes envolvendo transferências instantâneas. As medidas atingem todas as instituições financeiras participantes do sistema e prometem aumentar as chances de recuperação de valores desviados em crimes digitais.
A principal mudança é a obrigatoriedade do uso do Mecanismo Especial de Devolução 2.0, conhecido como MED 2.0. A ferramenta permite rastrear o caminho do dinheiro mesmo após ele ser transferido para outras contas, algo que não era possível na versão anterior, que só bloqueava valores ainda disponíveis na conta do recebedor.
Com a nova regra, bancos e instituições de pagamento devem agir de forma coordenada. Ao identificar indícios de fraude, as instituições podem bloquear preventivamente contas envolvidas e compartilhar informações para tentar interromper a circulação do dinheiro. O objetivo é reduzir o tempo entre a denúncia do cliente e a tentativa de devolução dos recursos.
Desde outubro de 2025, os usuários já contam com a opção de contestar uma transação Pix diretamente pelo aplicativo do banco, sem necessidade de atendimento telefônico ou presencial. A partir desta segunda, esse procedimento passa a integrar oficialmente o regulamento do Pix, padronizando a resposta das instituições.
Segundo o Banco Central, o prazo para análise e eventual devolução varia conforme o caso e depende da confirmação de fraude, não havendo garantia automática de reembolso. Ainda assim, o novo modelo tende a ser mais ágil e eficiente do que os processos anteriores.
O reforço na segurança ocorre em meio à popularização do Pix, lançado em novembro de 2020, que se consolidou como um dos principais meios de pagamento do país. A rapidez das transferências, embora vantajosa, também passou a ser explorada por criminosos, o que levou o regulador a endurecer as regras.
A recomendação às vítimas é registrar a contestação o mais rápido possível pelo aplicativo do banco e evitar contato direto com o recebedor suspeito. O Banco Central afirma que seguirá monitorando o sistema e poderá adotar novas medidas conforme a evolução dos golpes digitais.
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