Levantamento indica que supermercados e hipermercados serão responsáveis por 45% desse montante, correspondendo a R$ 31,37 bilhões

William Oliveira Publicado em 05/12/2024, às 09h07
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê que o período natalino deste ano impulsionará as vendas no comércio varejista em aproximadamente R$ 69,75 bilhões, refletindo um aumento real de 1,3% quando ajustado pela inflação. Apesar desse crescimento, o setor ainda não recuperou completamente os níveis anteriores à pandemia, tendo em vista que, em 2019, as transações totalizaram R$ 73,74 bilhões.
O levantamento indica que supermercados e hipermercados serão responsáveis por 45% desse montante, correspondendo a R$ 31,37 bilhões. Em seguida, vêm as lojas especializadas em vestuário, calçados e acessórios, que devem representar 28,8% das vendas (R$ 20,07 bilhões). Artigos de uso pessoal e doméstico somam 11,7%, ou R$ 8,16 bilhões.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, comentou sobre a influência da atual dinâmica de consumo no impulso das vendas de fim de ano. No entanto, ele ressalta que o aperto monetário iniciado pelo Banco Central em setembro já impacta negativamente o consumidor final. Isso explica o crescimento mais modesto, comparado ao ano anterior, quando o aumento projetado foi de 5,6%.
Em relação ao mercado de trabalho temporário para o Natal, a CNC projeta a contratação de cerca de 98,1 mil funcionários temporários. Esse número é inferior ao do ano passado em aproximadamente 2,3 mil vagas. Segundo Fábio Bentes, economista-chefe da CNC, essa redução se deve ao aumento contínuo do quadro permanente das empresas ao longo do ano, que registrou um acréscimo de cerca de 3% na força de trabalho — o equivalente a mais de 240 mil novos postos.
Para 2025, há uma expectativa positiva com a possível efetivação de aproximadamente 8 mil trabalhadores temporários atualmente contratados.
Além disso, a desvalorização cambial tende a encarecer os produtos natalinos em média 5,8%, conforme o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrado nos últimos 12 meses até dezembro. A cesta de produtos pode sofrer pressão devido aos aumentos nos preços dos livros (12%), produtos para a pele (9,5%) e alimentos em geral (8,3%). Por outro lado, espera-se redução nos preços de presentes como bicicletas (queda de 6,2%), aparelhos telefônicos (redução de 5,5%) e brinquedos (diminuição de 3,5%).
A análise regional revela que São Paulo (R$ 20,96 bilhões), Minas Gerais (R$ 7,12 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 5,86 bilhões) e Rio Grande do Sul (R$ 4,77 bilhões) serão responsáveis por mais da metade da movimentação financeira prevista. Os estados do Paraná e Bahia destacam-se com as maiores expectativas de crescimento nas vendas: aumentos previstos de 5,1% e 3,6%, respectivamente.
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