O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou de 2,2% para 2,6% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB - soma de todos os bens e

Redação Publicado em 23/06/2021, às 00h00 - Atualizado às 12h34
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou de 2,2% para 2,6% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB – soma de todos os bens e serviços produzidos no país) do setor agropecuário para este ano, na comparação com 2020. Os dados, divulgados hoje (23) pelo órgão, indicam também avanço de 2,7% para a produção vegetal e de 2,5% para a produção animal.

De acordo com o Ipea, a razão da revisão para cima foi a melhora no resultado esperado de itens importantes tanto na produção vegetal como animal no ano. O Ipea alerta, no entanto, que a crise hídrica “pode prejudicar mais do que o previsto a produção vegetal, e ao segmento da pecuária de bovinos, que ainda tem incertezas relativas à oferta e à demanda”.
Na produção vegetal, a projeção do crescimento de 2,7% no ano, que deve ocorrer apesar da queda esperada nas culturas, como o café (-21,0%), o algodão (-19,7%), o milho (-3,9%) e a cana-de-açúcar (-3,1%), não será “suficiente para comprometer o bom desempenho geral da agricultura sustentada nas altas da produção de soja (9,4%), do arroz (2,8%) e do trigo (27,9%)”, observou o Ipea.
Já na produção animal, a alta de 2,5% no ano, deve ser favorecida pelo crescimento de todos os segmentos conforme a projeção em bovinos (0,9%), nos suínos (6,8%), nas aves (6,5%), no leite (3,2%) e nos ovos (2,3%). O levantamento destacou que mesmo positivo, o desempenho da carne bovina ficou aquém do esperado, compensado pela forte alta de suínos e aves.
Para o pesquisador associado do Ipea e um dos autores do estudo, Pedro Garcia, o aumento do consumo de suínos e frangos compensou a desaceleração da carne bovina. “A produção de suínos e frangos foi impulsionada pelo aumento do consumo em substituição ao da carne bovina, que permanece com preço elevado e oferta limitada de animais para abate”.
A pesquisa chamou atenção ainda para os principais riscos relacionados ao setor. A necessidade de poupar água para a geração de energia hidrelétrica pode interferir na produção vegetal, agravada pela ocorrência de choques climáticos adversos no centro-sul. Na produção animal, o risco permanece com “uma possível frustração na projeção de crescimento da produção de bovinos, que pode ser impactada por uma recuperação na oferta de animais mais lenta do que o projetado”.
O levantamento levou em consideração as estimativas do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e em projeções próprias para a pecuária a partir de dados das Pesquisas Trimestrais do Abate, Produção de Ovos de Galinha e Leite.
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Agência Brasil
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