Por unanimidade, ministros recomendaram a aprovação das contas do governo federal de 2025, mas fizeram alertas sobre a situação fiscal, a rigidez dos gastos públicos e a gestão das renúncias de receitas.

Ana Beatriz Publicado em 11/06/2026, às 18h35
O Tribunal de Contas da União aprovou com ressalvas as contas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva referentes a 2025, destacando preocupações com a condução das finanças públicas e desafios fiscais do país.
O relatório do TCU identificou problemas como o crescimento da dívida pública, a rigidez do gasto e a administração de benefícios fiscais, exigindo atenção do governo e do Legislativo.
O parecer será enviado ao Congresso Nacional para julgamento definitivo, servindo como base para a análise política, enquanto o TCU recomenda maior controle fiscal e transparência na gestão pública.
O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, nesta quarta-feira, 10, com ressalvas, as contas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva referentes ao exercício financeiro de 2025. O parecer prévio elaborado pelo relator do processo, ministro Benjamin Zymler, foi acompanhado por unanimidade pelos demais integrantes da Corte.
Embora tenha recomendado a aprovação das contas, o TCU apresentou uma série de alertas sobre a condução das finanças públicas e os desafios fiscais enfrentados pelo país. O parecer será agora encaminhado ao Congresso Nacional, órgão responsável pelo julgamento definitivo das contas presidenciais, conforme prevê a Constituição Federal.
Durante a sessão, Benjamin Zymler afirmou que a análise técnica identificou pontos que exigem atenção do governo, do Legislativo e da sociedade.
"A mensagem final dessa análise, desse parecer prévio, é no sentido de que haja atenção do Congresso, do governo e da sociedade a alguns aspectos fundamentais que tornam a análise feita problemática ainda. A trajetória da dívida pública preocupa, assim como a rigidez do gasto público no Brasil e a governança das renúncias de receitas", destacou o ministro.
Além das observações sobre o crescimento do endividamento público, o relatório aponta preocupações relacionadas à administração dos benefícios fiscais, ao planejamento orçamentário e à sustentabilidade das contas públicas no médio e longo prazo.
Segundo informações divulgadas pelo próprio TCU, a análise das contas levou em consideração quatro grandes áreas: a execução orçamentária e financeira da União, a conformidade da gestão fiscal, os resultados das políticas públicas implementadas pelo governo federal e as demonstrações contábeis consolidadas apresentadas no Balanço Geral da União.
Outros ministros da Corte também apresentaram observações durante a votação. Apesar dos apontamentos adicionais, todos acompanharam a recomendação pela aprovação das contas com ressalvas.
Entre os temas destacados pelo tribunal estão a necessidade de maior controle sobre as renúncias fiscais, a credibilidade das projeções de arrecadação e a adoção de medidas capazes de estabilizar a trajetória da dívida pública. O TCU também tem defendido maior transparência e aprimoramento dos mecanismos de governança fiscal.
A aprovação com ressalvas significa que a Corte identificou inconsistências ou pontos de atenção, mas não constatou irregularidades suficientes para recomendar a rejeição das contas. O parecer técnico serve como subsídio para a análise política que será realizada pelo Congresso Nacional.
O julgamento das contas do presidente da República é uma das principais atribuições constitucionais do TCU e ocorre anualmente, funcionando como um instrumento de fiscalização e acompanhamento da gestão dos recursos públicos federais.
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