Empresa criada em 2020 reúne mais de 550 fundos e aposta em tecnologia para fortalecer a infraestrutura do setor

Redação Publicado em 01/07/2026, às 14h59
A evolução do mercado de capitais brasileiro tem sido impulsionada pela expansão do crédito privado e pelo fortalecimento dos fundos estruturados, que vêm ganhando espaço como alternativas de financiamento para empresas e de diversificação para investidores. Nesse cenário, cresce também a importância das instituições responsáveis pela infraestrutura que sustenta essas operações. É nesse segmento que a ID CTVM consolidou sua atuação.
Criada em outubro de 2020, a instituição atingiu a marca de R$ 50 bilhões em ativos sob administração e custódia. Atualmente, administra mais de 550 fundos de investimento, mantém mais de 9 mil contas ativas e oferece soluções voltadas a diferentes segmentos do mercado estruturado, reunindo tecnologia, governança e serviços especializados em uma plataforma integrada.
Embora a atenção dos investidores normalmente esteja voltada para os ativos e seus resultados, o funcionamento do mercado depende de uma estrutura operacional robusta. Administradores fiduciários, custodiantes e escrituradores desempenham um papel essencial para garantir conformidade regulatória, transparência e segurança em todas as etapas das operações.
O avanço da ID CTVM acompanha a própria expansão da indústria de fundos. Em 2025, o patrimônio líquido dos fundos de investimento brasileiros chegou a R$ 10,7 trilhões, representando crescimento de 15% na comparação com o ano anterior. Em 2026, o volume já se aproxima dos R$ 11 trilhões, impulsionado por uma captação líquida de R$ 188,2 bilhões entre janeiro e maio. Dentro desse cenário, os fundos estruturados lideram o desempenho. Os Fundos de Investimento em Participações (FIPs) registraram entrada líquida de R$ 60,1 bilhões, enquanto os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) captaram R$ 57,6 bilhões, reforçando sua relevância no financiamento da economia.
Segundo Paulo Viesti, diretor da ID CTVM, a expansão dos fundos estruturados elevou o nível de exigência para toda a cadeia do mercado de capitais. Para ele, eficiência operacional, atendimento às normas regulatórias e capacidade tecnológica tornaram-se fatores inseparáveis para garantir segurança e confiança aos investidores, ainda que essa estrutura permaneça pouco perceptível no cotidiano.
A modernização regulatória promovida pela Resolução CVM 175 ampliou ainda mais a relevância dos administradores fiduciários. Além de assegurar a governança dos fundos, esses profissionais passaram a exercer funções estratégicas relacionadas ao controle operacional, escrituração de cotas, atendimento aos investidores e fiscalização do cumprimento das regras de cada veículo de investimento.
De acordo com Lidiane dos Santos, diretora da ID CTVM, a infraestrutura deixou de ser apenas um suporte operacional para assumir posição estratégica à medida que o mercado se tornou mais complexo. Na avaliação da executiva, operações cada vez mais sofisticadas exigem processos sólidos, governança consistente e integração entre todos os participantes envolvidos.
Com essa visão, a companhia desenvolveu um modelo de atuação que reúne diversos serviços em um único ambiente. Em vez de atuar apenas em etapas isoladas das operações, a empresa oferece administração fiduciária, custódia, controladoria, escrituração, distribuição, soluções bancárias e atendimento a investidores não residentes, acompanhando gestores, consultores, empresas e investidores durante todo o ciclo dos fundos.
Para dar suporte a esse ecossistema, a ID CTVM criou plataformas digitais voltadas aos diferentes perfis de usuários envolvidos nas operações. Como cada processo reúne administradores, gestores, consultores, empresas, investidores e desenvolvedores, a companhia estruturou ferramentas específicas para atender às necessidades de cada público, mantendo todas as informações integradas.
Entre essas soluções está o Portal do Cotista, que permite acesso a documentos, informes e posições de investimento. Já o Portal do Gestor reúne informações sobre o passivo dos fundos e o acompanhamento das operações. O Cadastro do Investidor digitaliza o processo de abertura de contas, enquanto o Portal do Desenvolvedor disponibiliza APIs para integração entre sistemas. O ecossistema também inclui os portais do Consultor, IDSF, Nota Comercial e Cobranças.
Segundo Lidiane dos Santos, a proposta não foi criar plataformas independentes, mas desenvolver um ambiente conectado, no qual cada usuário tenha acesso às funcionalidades necessárias para sua rotina sem perder a integração das informações dentro da mesma infraestrutura operacional.
A expansão da companhia também acompanha o crescimento do crédito privado, que passou a ocupar posição de destaque nas carteiras de investimento. Instrumentos como debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), FIDCs e Notas Comerciais ganharam importância tanto para empresas quanto para investidores.
Os FIDCs ampliaram significativamente seu campo de atuação e hoje atendem segmentos como agronegócio, saúde, educação, tecnologia e energia, indo muito além da tradicional antecipação de recebíveis. Já as Notas Comerciais ganharam impulso após a modernização promovida pela Lei nº 14.195/2021. Dados da ANBIMA apontam que as emissões alcançaram R$ 9 bilhões no primeiro trimestre de 2026, volume 31,2% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Na avaliação de Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, o mercado amadureceu tanto do lado das empresas quanto dos investidores. Enquanto as companhias passaram a enxergar alternativas ao crédito bancário tradicional, os investidores passaram a considerar o crédito privado como uma classe estratégica para diversificação dos portfólios.
Para atender essa demanda crescente, a instituição estruturou uma solução específica para emissões de Notas Comerciais, reunindo tecnologia, suporte especializado e intermediação em um único serviço.
Conforme explica o diretor Saudir Filimberti, a iniciativa busca reduzir a complexidade das emissões ao combinar segurança operacional, tecnologia e atendimento especializado, tornando esse instrumento mais acessível para o mercado.
A expectativa é que os próximos anos sejam marcados menos pelo aumento do volume de operações e mais pelo aperfeiçoamento da infraestrutura. Aspectos como governança, transparência, rastreabilidade das informações e integração tecnológica tendem a assumir papel cada vez mais relevante para o desenvolvimento do mercado de capitais.
Lidiane dos Santos afirma que, embora permaneça pouco visível para quem investe, a infraestrutura continuará sendo decisiva para conectar empresas, investidores e novos instrumentos financeiros com segurança, agilidade e transparência.
Dentro dessa estratégia, a ID CTVM busca simplificar a gestão operacional dos fundos por meio de uma estrutura integrada, permitindo que gestores concentrem seus esforços nas decisões de investimento enquanto as atividades relacionadas à governança, segurança e eficiência operacional permanecem sob responsabilidade da instituição.
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